Perguntas e respostas de um romance engajado
DOI:
https://doi.org/10.12957/matraga.2026.98154Palavras-chave:
Romance contemporâneo, política da literatura, realismo, conflito agrárioResumo
Este artigo propõe uma interpretação de Torto arado, de Itamar Vieira Junior (2019), a partir de elementos da forma narrativa, empregando principalmente os conceitos bakhtinianos de cronotopo e autor convencional. Evita discutir questões temáticas ou avaliar se o romance é ou não bem-sucedido esteticamente, privilegiando uma análise da estrutura. Parte-se da hipótese de que, além da interpretação do Brasil evidente na construção do universo ficcional (a exploração dos trabalhadores colonos como continuidade do escravismo), é possível identificar no plano formal uma tentativa de resposta a essa continuidade. O romance se estruturaria por meio de uma dialética entre, de um lado, pertencimento territorial e estabilidade comunitária e, do outro, organização política e esclarecimento sobre a história nacional. Dessa contradição, o romance proporia uma síntese, que, no entanto, se revela problemática: assim como vozes opostas são controladas pelo autor convencional, a fim de que tenham a mesma posição ideológica, o enredo tenta conciliar as contradições sublimando a revolta na forma de uma vingança sem agente explícito. Essa síntese problemática, porém, pode ser vista como uma elaboração das dificuldades de resolver essa contradição constitutiva das lutas pela transformação social no Brasil.
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