Pós-autonomia e seus outros: apontamentos sobre uma tópica argentina
DOI:
https://doi.org/10.12957/matraga.2026.92605Palavras-chave:
Pós-autonomia, Josefina Ludmer, Revolução Estética, Literatura Moderna, Teoria FrancesaResumo
Este texto busca investigar alguns aspectos da ideia de pós-autonomia, crucial para certo ensaísmo argentino recente. Segundo autores como Florencia Garramuño e Reinaldo Laddaga, além, é claro, da pioneira Josefina Ludmer, estaríamos vivendo a exaustão do paradigma moderno da arte ou, ao menos, de alguns de seus elementos; entre esses estaria a especificidade do discurso literário que implica que, em sua vertente moderna, a literatura teria definido a si mesma e sua diferença de outros discursos de forma relativamente cômoda. Recentemente, essa concepção moderna do literário teria começado a perder seu rendimento crítico, e veríamos emergir uma literatura pós-autônoma, que transborda toda fronteira de definição possível, se colocando fora e dentro da rubrica “literário”. A meu ver, porém, tal inespecificidade da arte é algo inerente à experiência da modernidade estética, um traço coextensivo ao modo contraditório e paradoxal pelo qual a literatura se (in)define no contexto do que Rancière (2002) denomina revolução estética. Isso implica que a tópica da ruptura ou da exaustão do moderno, tão crucial para os teóricos da pós-autonomia, essa cronologia que separa o momento autônomo moderno de sua contraparte mais recente se deve, na verdade à leitura e circulação dos autores associados ao “pós-estruturalismo” francês (como Derrida e Deleuze), referências frequentes nas obras desses teóricos
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