“A reivindicação é a mesma que a sua”: o lugar do leitor na ensaística política de Virginia Woolf
DOI:
https://doi.org/10.12957/matraga.2026.97754Palavras-chave:
Ensaio, Virginia Woolf, feminismoResumo
O presente artigo analisa o ensaio enquanto gênero literário intrinsecamente ligado ao fomento do debate público e à resistência política, tomando como objeto central a obra Três guinéus (2019), de Virginia Woolf. A discussão fundamenta-se na premissa de que o ensaio traduz ações coletivas por meio de causas sociais, permitindo a emancipação do indivíduo em uma esfera pública que é, simultaneamente, sociológica e textual (Slaughter, 2007). O estudo busca investigar como a forma antissistêmica (Said, 1983) do ensaio oferece subsídios para que Woolf construa uma crítica contundente ao patriarcado, ao militarismo e às desigualdades de classe e gênero. A fundamentação teórica percorre autores como Kara Wittman (2022), que concebe o ensaio a partir da ideia de resistência e fundamenta o entendimento do gênero como um constructo coletivo. A metodologia consiste, inicialmente, em uma definição teórica da forma do ensaio baseada na interlocução e no lugar do leitor na construção desse gênero. Contextualizar o ensaio de Woolf e entender seus limites significa expandi-lo a partir de seus não ditos. Buscamos notar como o formato epistolar de Três guinéus posiciona o leitor, explicitamente, como um ente ativo na construção de sentido, transformando o texto em um “laboratório” de ideias e em um exercício prático de debate acerca de causas sociais. Outrossim, almeja-se fomentar a ideia de que o ensaio é um gênero democrático para a contestação de ideias, pois permite que o silêncio e as ausências também sejam políticos.
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