As frestas que revelam o outro: identidade e gênero em “A cela um”, de Chimamanda Adichie

Autores

DOI:

https://doi.org/10.12957/matraga.2026.96235

Palavras-chave:

Identidade, gênero, justiça social, carceralidade, literatura contemporânea

Resumo

O conto “A cela um”, de Chimamanda Ngozi Adichie, integrante do livro No seu pescoço, narra, em primeira pessoa, a trajetória de Nnamabia, um jovem nigeriano cuja sucessão de pequenos delitos culmina em sua prisão. Embora ele ocupe o centro dos acontecimentos, é sua irmã quem, ao relatar o percurso do irmão, deixa entrever sua própria condição de mulher em uma sociedade estruturada por valores patriarcais. A partir desse olhar que se lança ao outro, a narrativa abre frestas por onde emergem questões relativas à construção das identidades, às desigualdades de gênero e às relações de poder que atravessam tanto o espaço familiar quanto as instituições sociais, em especial o sistema prisional. Este artigo propõe uma leitura crítica do conto, analisando como as identidades masculina e feminina dos irmãos se constroem e se transformam em meio a experiências de violência simbólica, exclusão e injustiça social. Ao articular literatura, gênero e carceralidade, a análise evidencia como a narrativa de Adichie funciona como espaço de denúncia e reflexão ética, revelando os impactos de um sistema patriarcal e punitivo na subjetividade dos sujeitos. Para sustentar essa discussão, dialogamos com autores como Zygmunt Bauman, Stuart Hall, Simone de Beauvoir, Judith Butler e a própria Chimamanda Adichie, compreendendo a identidade como processo relacional, histórico e atravessado por disputas sociais. Assim, o conto é abordado como uma forma literária capaz de reimaginar a justiça social, ao expor as fissuras de um sistema que produz desigualdades, silenciamentos e resistências.

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Biografia do Autor

Conceição de Maria Corrêa Feitosa, Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio)

Doutora em Letras (Teoria da Literatura) pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), mestra em Administração (Gestão Organizacional) pela Universidade Fe-deral de Santa Maria (UFSM) e licenciada em Letras (Língua Portuguesa e Francesa e Res-pectivas Literaturas) pela Universidade Federal do Maranhão (UFMA). Professora da Rede Pública Estadual do Maranhão. Desenvolve pesquisas nas áreas de Teoria da Literatura e Es-tudos Culturais, com interesse em memória, identidade, gênero, alteridade, lugar e paisagem, dedicando-se especialmente à poesia maranhense contemporânea e às representações literárias do espaço urbano.

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Publicado

2026-09-20

Como Citar

FEITOSA, Conceição de Maria Corrêa. As frestas que revelam o outro: identidade e gênero em “A cela um”, de Chimamanda Adichie. Matraga - Revista do Programa de Pós-Graduação em Letras da UERJ, Rio de Janeiro, v. 33, n. 69, p. 391–403, 2026. DOI: 10.12957/matraga.2026.96235. Disponível em: https://www.e-publicacoes.uerj.br/matraga/article/view/96235. Acesso em: 21 set. 2026.

Edição

Seção

Estudos Literários