Escutar o português na Amazônia: tradução cultural e práticas interculturais no ensino de PLE

Autores

DOI:

https://doi.org/10.12957/matraga.2026.94964

Palavras-chave:

tradução cultural, interculturalidade, Português como Língua Estrangeira, oralidade amazônica, pedagogia decolonial

Resumo

Este artigo examina a tradução cultural como prática pedagógica no ensino de Português como Língua Estrangeira (PLE), enfatizando suas interfaces com a interculturalidade e perspectivas decoloniais. À luz da oralidade amazônica, sustenta-se que a tradução, orientada por uma ética translacional, não apenas media sentidos entre línguas, mas produz deslocamentos nas formas de compreender o mundo, ao colocar em tensão diferentes cosmologias. O estudo articula contribuições de Antoine Berman (2013) e Lawrence Venuti (2008) para analisar como escolhas tradutórias evidenciam a tensão entre domesticação e estrangeirização, tornando visível a dimensão ética e política da tradução. A metodologia qualitativa baseia-se em um estudo de caso desenvolvido em curso de PLE na UNIFAP, no qual sete estudantes traduziram narrativas orais amazônicas em atividades interlinguais e intersemióticas, conforme a tipologia de Roman Jakobson (2000). Os resultados indicam que os participantes desenvolveram consciência linguística e intercultural ao confrontar categorias sem equivalência direta, mobilizando a tradução como espaço de reflexão sobre língua, cultura e conhecimento. Conclui-se que a tradução cultural pode operar como prática formativa central no ensino de PLE, especialmente em contextos marcados pela presença de estudantes migrantes, ao articular aprendizagem linguística, escuta intercultural e reconhecimento da pluralidade epistêmica.

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Biografia do Autor

Daniel Batista Lima Borges, Universidade FEderal do Amapá (UNIFAP)

Doutor em Teoria e História Literária pela Unicamp e doutor em Estudos Lusófonos pela Université Paris Nanterre. Atua como professor da Universidade Federal do Amapá (UNIFAP), onde desenvolve atividades de ensino, pesquisa e extensão nas áreas de literatura brasileira, oralidade amazônica, estudos da tradução e perspectivas decoloniais. É coordenador do grupo de pesquisa Saberes e Poéticas Orais da Amazônia Amapaense (SAPOA/CNPq) e de projetos voltados à formação docente e à valorização de tradições orais. Possui experiência internacional, tendo lecionado em instituições de ensino superior em Timor-Leste e na França, e atua em iniciativas voltadas ao ensino de PLE.

Tatiane Trindade da Costa, Universidade FEderal do Amapá (UNIFAP)

Graduanda em Letras - Português/Francês pela UNIFAP, onde integra o grupo de pesquisa Saberes e Poéticas Orais da Amazônia Amapaense (SAPOA). Sua formação acadêmica concentra-se nas áreas de ensino de línguas, oralidade amazônica e interculturalidade, com interesse em estudos da tradução e abordagens decoloniais. Atua como monitora e colaboradora em projetos de extensão voltados ao ensino de Português como Língua Estrangeira, participando do desenvolvimento de atividades pedagógicas e da produção de materiais didáticos. Possui experiência em práticas de mediação linguística e cultural em contextos educativos marcados pela diversidade.

Jeiza Bentes de Souza, Universidade FEderal do Amapá (UNIFAP)

Graduanda em Licenciatura em Letras - Português/Francês pela UNIFAP e integrante do grupo de pesquisa Saberes e Poéticas Orais da Amazônia Amapaense (SAPOA/CNPq). Sua formação acadêmica abrange ensino de línguas, literatura e estudos interculturais, com ênfase na oralidade amazônica e nos estudos da tradução. Atua como monitora em cursos de Teoria da Literatura, desenvolvendo atividades voltadas à tradução cultural e poéticas orais. Possui experiência em projetos de extensão que articulam práticas pedagógicas, diversidade linguística e formação docente em contextos multilíngues.

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Publicado

2026-06-28

Como Citar

LIMA BORGES, Daniel Batista; TRINDADE DA COSTA, Tatiane; BENTES DE SOUZA, Jeiza Marcely. Escutar o português na Amazônia: tradução cultural e práticas interculturais no ensino de PLE. Matraga - Revista do Programa de Pós-Graduação em Letras da UERJ, Rio de Janeiro, v. 33, n. 68, p. 273–284, 2026. DOI: 10.12957/matraga.2026.94964. Disponível em: https://www.e-publicacoes.uerj.br/matraga/article/view/94964. Acesso em: 29 jun. 2026.