Chamada para submissão de artigos – Revista KITANDA
É com grande satisfação que a Revista KITANDA, vinculada ao Curso de Arquitetura e Urbanismo da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ – campus Petrópolis) e ao Programa de Pós-Graduação em Arquitetura e Patrimônio (PPGAP), lança este convite inaugural para contribuições à sua edição em fluxo contínuo.
Constituída como um espaço editorial que se inspira nas feiras livres — territórios de troca, circulação e produção da vida coletiva —, a KITANDA se afirma como uma plataforma de encontro entre saberes, tensionando e movimentando memórias, territórios e práticas culturais no campo ampliado da Arquitetura e do Urbanismo.
Retomamos aqui a noção de “campo ampliado”, tal como mobilizada na antologia organizada por A. Krista Sykes, que dá sequência ao trabalho de Kate Nesbitt (¹). Embora fundamentais para a teoria e a crítica da arquitetura e do urbanismo, esses referenciais também apresentam limites, os quais tomamos como ponto de partida. O primeiro é temporal: centrados no período entre a crítica ao movimento moderno e a ascensão dos “starchitects”, os textos acompanham a consolidação da ideologia neoliberal e a crescente mercantilização da arquitetura, do urbanismo e da paisagem — momento em que, parafraseando Deleuze e Guattari (²), o conceito é capturado pelo design e pelo marketing, deixando de ser instrumento para produzir pensamento para agir como instrumento para vender produtos. Considerando que a última coletânea se encerra em 2009, cabe perguntar: que crítica vem sendo produzida no campo ampliado da arquitetura e do urbanismo desde então?
Se, desde Rosalind Krauss (³), o campo ampliado problematiza a autonomia dos objetos e os binarismos modernos, entendemos que alguns movimentos mais politizados em nosso campo vêm radicalizando essa crítica ao enfatizar a relacionalidade das coisas, dos saberes e práticas, sem abrir mão de sua ancoragem situada, refletindo sobre e a partir dos lugares de onde falamos. Isso nos leva a um segundo limite, de ordem geográfica: ambas as antologias foram editadas no Norte global e refletem debates ali produzidos. Pensar a crítica a partir de 2009, e desde o Brasil, nos faz perceber que este dado, que até aquele momento poderia passar despercebido, hoje não passa mais. O dado se torna, ele mesmo, um problema. É preciso “mundializar o mundo”, como sugeriu Carlos Walter Porto-Gonçalves (⁴), entendendo que superar a colonialidade do saber passa por reconhecer que a Europa é uma província entre outras do mundo. Não se trata de abandonar aquela crítica, mas dialogar com ela cientes de seu lugar de enunciação.
É nesse movimento de deslocamento — de lugares de enunciação, problemas e práticas — que a KITANDA opta por não fixar uma agenda, mas se colocar como espaço para sua construção coletiva. Mais do que delimitar um tema, esta chamada convida a contribuições diversas para a organização de uma outra agenda para a arquitetura e o urbanismo diante dos problemas e desafios de nosso tempo, que ajude a ampliar, tensionar e reinventar os modos de pensar, produzir e habitar os espaços, assumindo o dissenso como fundamental para o exercício político em sentido amplo. A revista reafirma, assim, seu compromisso com uma produção acadêmica transdisciplinar, crítica e ética, atenta às contradições e potências do mundo contemporâneo.
As submissões devem ser realizadas por meio do seguinte link até 16/08/2026:
https://www.e-publicacoes.uerj.br/kitanda
Equipe Editorial
Revista KITANDA
(¹) Nos referimos aqui às antologias O campo ampliado da arquitetura: Antologia teórica 1993-2009 e Uma nova agenda para a arquitetura: Antologia teórica 1965-1995 publicadas pela Cosac Naify em 2013 e 2006.
(²) Deleuze, G.; Guattari, F. O que é a filosofia? 3. ed. São Paulo: Editora 34, 2010.
(³) Krauss, Rosalind. A escultura no campo ampliado. Arte & Ensaios, Rio de Janeiro, n. 17, p. 128-137, 2008 [1979].
(⁴) Porto-Gonçalves, C. W. De saberes e Territórios: diversidade e emancipação a partir da experiência latino-americana. GEOgraphia, v. 8, n. 16, 4 fev. 2010.