SURUÍ-AIKEWARA: DAS REINVENÇÕES DITATORIAIS DA LÓGICA COLONIAL AOS LIMITES DA JUSTIÇA DE TRANSIÇÃO

Alex Bruno Feitoza Feitoza Magalhães

Resumo


O presente trabalho se constitui em refletir sobre a atualidade da ferida ditatorial do Povo Indígena Aikewara, bem como, os limites da justiça de transição. O texto encara as narrativas testemunhais dos indígenas como vetor que explicita que a ditadura militar naturalizou estruturas e formas de atuação que se perfazem em códigos coloniais, quais sejam: a índole colonial dos agentes da ditatura militar; as figurações coloniais da subjetividade indígena; o controle colonial dos corpos e as repercussões de gênero. Num segundo momento, propõe campos de reflexão à justiça de transição, como: a identificação de enquadramentos justransicionais; por uma justiça anamnética; e adoção de um juízo étnico-coletivo para os processos de reparação. Ao final, situa a Comissão de Anistia como burocracia colonial.


Palavras-chave


Povo Indígena Aikewara; Ditadura Militar; Justiça de Transição

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DOI: https://doi.org/10.12957/transversos.2022.69475

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