Religião como espaço de resistência: Dona Beatriz Ñsîmba Vita

Patrício Batsikama

Resumo


Depois de alguns anos de inconstitucionalidade com o rei Dom Afonso I Mvêmba Ñzînga – 1604-1543, os jagas invadiram a capital do antigo reino do Kongo em 1568-1570 e o declínio foi em 1665, com a morte do rei Dom António I Vita Ñkânga. Surgiu uma profetisa jovem chamada Dona Beatriz Ñsîmba Vita (conhecido por Kimpa Vita). Criou sua Doutrina na base de kimpasi (religiosidade local), resistiu contra as imposições católicas e montou um sincretismo localmente percebido. Rapidamente, ela ganha uma popularidade, restaura a ordem social, proporciona esperança económica, apazigua os chefes militares e convocou as eleições. Tudo, em nome da religião. O seu legado em África verificou com o messianismo com Simon Kimbangu e Simão Gonçalves Toko que resultou nas independências das repúblicas de Congo-Kinsâsa e Angola. Nas Américas, candomblé e umbanda são uma afirmação cultural e servem de uma resistência face aos insumos socioculturais.


Palavras-chave


Ñsîmba Vita, Religião, ancestralidade africana, Kôngo

Texto completo:

PDF

Referências


BAL, W. (1965), «Portugais pombeiro: commerçant ambulant du Sertão», In: Annali, Instituto Universitario Orientale, Vol. 2, VII, Julho, pp. 123-162

BALANDIER, G. (1953), «Messianismes et nationalismes en Afrique noire», In: C.I.S., n.º 14, pp.41-65

BALANDIER, G. (2012), La vie quotidienne au royaume de Kongo du siècle XVI au XVIIIè siècle, Paris: Hachette

BASTIDE; R. (1931), Les probèmes de la vie mystique, Paris: P.U.F.

BASTIDE, R. (1960), Les réligions africaines au Brésil. Vers une sociologie des interpretations des civilisations, Paris: P.U.F.

BASTIDES, R. (1961), Le candomblé de Bahia. Rite Nagó, São Paulo: Companhia Editora Nacional

BATSÎKAMA, P. (2018), Tokoismo. Teologia da libertação, Luanda: Mayamba

BATSÎKAMA; P. (2019), O reino do Kôngo. Origens, política e economia, Luanda: Mayamba

BENVENISTE, E. (1968), Le vocabulaire des institutions indo-européennes, Paris: Minuit

BIMWENYI, O. (1968), “Le muntu à la lumière de ses croyances en l’Aud-delà”, In: Cahiers des religions africaines, #9, pp. 59-112

BLANES, R. (2018), Uma trajetória profética. Ideologias de tempo, lugar e pertença num Movimento Crisão Angolano, Luanda: Editora Mulemba Yetu

BOCKIE, S. (1993), Death and the invisible Powers: The World of Kongo Belief, Bloomington/Indianapolis: Indiana University Press

BONCTINK, F. (1980), «Un mausolé pour les Jagas», In: Cahiers d’Études Africains, vol. XX, nº 79, pp. 387-389

BRÁSIO, A. (1973), História e missiologia. Inéditos e esparsos, Luanda: Instituto de Investigação Científica de Angola

CHOMÉ, J. (1959), La passion de Simon Kimbangu: 1921-1951, Bruxelas: Lesa mis de Présence Africaine

CUVELIER, J. (1934), Nkutama mvila zamakanda, Tumba: Diocèse de Matadi

CUVELIER, J. (1948), L’Ancien royaume de Congo, Bruxelas: Desclé

ELIADE, M. (1992), O sagrado e o Profano, São Paulo: Martins Fontes

FERREIRA, R. (2012), Cross-Cultural Exchange in the Atlantic World: Angola and Brazil during the Era of the Slave Trade, Cambridge: Cambridge University Press

FILESI, T. (1971), Nazionalismo e religione nel Congo all’inizio del 1700: la secta degli Antoniani, Roma. A.BE.TE

GONZAGA, J.B. (1993), A inquisição em seu mundo, São Paulo: Editora Saraiva

HEUSCH, L (1986), Le sacrífice dans les religions africaines, Paris: Gallimard

HEUSCH, L. (2000), Mythes et rites bantous. III. Ler oi de Kongo et les monstres sacrés, Paris: Gallimard

LAMAN, K.E. (1936), Le Dictionaire Kikoongo-français, Bruxellas: I.R.C.B

LEFEBVRE, H. (1974), O capitalismo, Paris: PUF

MALULA, J. (1965), «Culture africaine et message chrétien», In: Église du Tiers Monde, Paris, pp. 259-269

MARCUM, J. (1969), The Angolan Revolution. Vol. 1. The Anatomy of an Explosion, 1950-1962, Cambridge: M.I.T. Press

MELA, A. (1999), A sociologia das cidades, Lisboa: Editoral Estampa

MELLO E SOUZA, M. (2006), «Religiões tradicionais e catequeses na África Central, século XVII», In: Phronésis: Campinas, Vol. #8, n. º 1, pp.121-138

MULAGO, V.C.M. (1956), «L’union vitale bantu», In: Rhytmes du monde, #4, nº 2-3, pp.43-53

NUNES, A. Sde (2020), Introdução a História do Tocoismo, Luanda: Mayamba

PETELO, N. (1993), «Dimension religieuse et historique de Kimpa Vita», In: Africa: Revista Trimestrale di Studi e Documentazione dell’Istituto italiano per l’Africa e l’Oriente, Dezembro, Anno 48, n.º 4, pp.611-623

RAYMAEKERS, P. (1971), «L’histoire de Simon Kimbangu selons les écrivains Nfinangani et Nzungu», In: Archives de Sociologie de Religion, n.º 31, pp.15-42

RAYMAEKERS, P. ; DESROCHE, H. (1983), L’administration et le sacre. Discours religieux et parcours politiques en Afrique centrale, Bruxelas: A.R.Sc.O.M.

SINDA, M. (1972), Le messianisme congolais et ses incidences politiques (Kimnaguisme, matsouanisme et autres mouvements, Paris: Payot

SLENES, R. (2008), «Saint Anthony at the crossroads in Kongo and Brazil: “crealization” and identity politics in the Black South Atlantic: ca 1700/1850», In: Africa, Brazil and the Construction of tans-Atlantic Black identities, Chapter 9, pp.209-254

THORNTON, J. (1998). The Kongolese Saint Anthony: Dona Beatriz Kimpa Vita and the Antonian Movement, 1684-1706, Cambridge: Cambridge University Press

VAN WING, J. (1938), Études Bakongo. I., Bruxelas: Desclé

WEBER, M. (2006), Sociologia das religiões, Lisboa: Relógio d’Água




DOI: https://doi.org/10.12957/transversos.2021.57839

Apontamentos

  • Não há apontamentos.


Direitos autorais 2021 Autor concedendo à Revista Transversos o direito de primeira publicação.

REVISTA TRANSVERSOS - ISSN:2179-7528

Laboratório de Estudos das Diferenças e Desigualdades Sociais - UERJ

Campus Francisco Negrão de Lima - Pavilhão João Lyra Filho Rua São Francisco Xavier, 524 - 9° andar - Bloco D, sala 6.

http://www.e-publicacoes.uerj.br/index.php/transversos