LEBON RÉGIS/SC, DA VIVÊNCIA CABOCLA NO CONTESTADO AO SUFOCAMENTO NA LÓGICA AGRÁRIO-CAPITALISTA

Émerson Dias Oliveira, Nilson Cesar Fraga

Resumo


O processo de desbravamento, ocupação e povoamento da região Sul do Brasil, deu-se numa particularidade secundária ao formato tradicional das demais regiões colonizadas. Nessa região, o Estado de Santa Catarina surge ainda como território de ocupação posterior aos demais estados sulistas, uma espécie de espaço periférico e “abandonado” entremeio os extremos da Estrada de Ferro São Paulo – Rio Grande. Entre os rudimentares povoados surgidos, está a atual Lebon Régis/SC, integrando uma região conhecida como – Contestado –, sendo que esta região é tida como deficitário de uma territorialidade racional e “civilizada” aos olhos das classes dominantes dos séculos XIX e XX. Na segunda década do século XX, a região do Contestado padece em seus domínios uma guerra civil camponesa de proporções extremamente devastadoras, uma revolução que é na realidade o estopim de um choque de classes já vigente há algum tempo. Assim, seus residentes seculares - o caboclo - imbuído em sua fé messiânica, resistiram e lutaram até o seu completo genocídio contra as instituições públicas e privadas, uma fatalidade em que a lei do mais forte (poder e capital) se impôs ao mais fraco (caboclo), uma barbárie por muitos anos legalizada, justificada e legitimada pelo Estado, sendo o foco deste ensaio trazer à tona a realidade dos fatos, oportunizando ao caboclo de Lebon Régis sua expressão identitária de fato.


Texto completo:

150-170


DOI: https://doi.org/10.12957/tamoios.2016.25152

ISSN: 1980-4490

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