“Inclusão com mérito” e as facetas do racismo institucional nas universidades estaduais de São Paulo / "Merit-based inclusion" and the facets of institutional racism at public universities in the state of São Paulo

Danielle Pereira de Araújo

Resumo


DOI: 10.1590/2179-8966/2019/43879

Resumo

As universidades estaduais de São Paulo estão entre as últimas universidades públicas brasileiras a introduzirem, nos seus processos seletivos, o sistema de reserva de vagas étnico-raciais, mais de uma década depois da primeira universidade a implementar o sistema. Mesmo diante de um quadro gritante de desigualdade racial de acesso à educação superior, por quê, ainda assim as universidades estaduais de São Paulo negaram-se por tanto tempo a aderir ao sistema de reserva de vagas? O debate suscitado ao longo do processo de decisão de adesão ou não ao sistema de cotas entre os docentes das três universidades públicas fornece algumas pistas para responder a essa pergunta. A análise das discussões realizadas pelos docentes oferece uma oportunidade para percebermos de que forma o enquadramento do debate sobre a adoção das cotas étnico-raciais, a partir de falsos dilemas como inclusão versusmérito, raçaversusclasse, políticas universais versuspolíticas focalizadas, desempenhou um papel crucial na negação do racismo. Estes debates revelaram, por um lado, como operam classe e raça na defesa dos privilégios e, por outro, como funciona a engrenagem do racismo institucional. O presente artigo buscará oferecer uma reflexão acerca da atualização da (re)produção da narrativa eurocêntrica do paradigma da integração, e de que forma essa narrativa tem impedido o enfrentamento do racismo como sistema de dominação que opera aberto e velado ao mesmo tempo, de modo a manter intocada a estruturação racializada dos espaços de poder, incluindo a educação superior pública. 

Palavras-chave: Ações afirmativas; Paradigma da integração; Racismo institucional; Universidade.

Abstract
The state universities of São Paulo are among the last Brazilian public universities to introduce, in their selective processes, afirmative-action reservation programs with ethno-racial vacancies, more than a decade after the first university implemented this system. Even in the face of a glaring picture of racial inequality in access to higher education, why have the public universities of Sao Paulo refused to join this reservation system? The debate raised during the process of deciding whether or not to join the quota system among the professors of the three public universities provides some clues to answer this question. The analysis of the lecturer’s arguments offers an opportunity to understand how the framing of the debate about the adoption of ethnic-racial quotas – false dilemmas such as inclusion versus merit, race versus class, universal policies versus focused policies – played a crucial role in the denial of racism. These debates revealed, on the one hand, how class and race operate in the defense of privileges and, on the other, the workings of institutional racism. The present article will seek to offer a reflection about the (re) production of the Eurocentric narrative of the integration paradigm and how this narrative has prevented the confrontation of racism as a system of domination that operates, open and veiled at the same time in order to keep the structuring-racialized-of the power spaces, including public higher education, untouched.

Keywords: Affirmative action; Institutional racism; Paradigm of integration; University.



Palavras-chave


Ações afirmativas; Paradigma da integração; Racismo institucional; Universidade / Affirmative action; Institutional racism; Paradigm of integration; University.

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