Lembranças que amargam: a infância como lugar de desconforto em "Me Nina", de Gustavo Bernardo

Ana Lidia da Silva Afonso

Resumo


Narrativa com muitos vazios a serem suplementados, esperando “que o leitor descubra suas próprias projeções”, conforme entendimento de Wolfgang Iser, o romance Me nina nos oferece exercício constante de estímulo à imaginação. De tantas questões que surgem ao longo do relato são as que envolvem o(s) narrador(es) que mais nos chamam a atenção. A sobreposição de vozes narrativas abre ao leitor a possibilidade de enxergar os fatos através de várias perspectivas que, longe de constituírem-se como zonas de conforto, fazem do texto uma ficção cética. Os narradores assumem papel fundamental para dar conta de que a trajetória da personagem Timo é marcada pela impossibilidade. Texto de fruição, conforme ideias de Roland Barthes, a narrativa coloca-nos em estado de perda e desconforto, firmando-se como leitura desejante e em constante devir.

Palavras-chave


infância, desconforto, narrador, ficção cética

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DOI: https://doi.org/10.12957/palimpsesto.2018.35395

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ISSN 1809-3507 | DOI: 10.12957/palimpsesto


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