DESCONSTRUINDO O CONCEITO DE BÁRBARO COM A AJUDA DE KAVÁFIS

Ioánnis Petrópoulos

Resumo


A primeira parte deste artigo discute o conceito de "bárbaro" na antiga sociedade grega e em sua literatura. Como usado a partir de meados do século V a.C., o termo serve como um marcador linguístico e cultural, denotando ou implicando a barreira conceitual entre "nós" (gregos) e "eles" (o resto do mundo), portanto entre gregos e 'outros'. No entanto, em alguns casos, essa divisão pode entrar em colapso com o uso não generoso dos gregos. A segunda parte do artigo examina o poema clássico de Kavafy "À espera dos bárbaros" (1904) à luz do antigo conceito de "bárbaro". Lançando mão de uma troca dialógica de perguntas e respostas entre dois cidadãos do final do Império Romano, o poema dramatiza o diálogo mental e a relação conceitual que surge quando, como os antigos, distinguimos entre nós e o "outro bárbaro". Por que os bárbaros de Kavafy são uma "solução" e "libertação" (ambos sugeridos por λύσις)? Por que seus não-bárbaros são paradoxalmente atraídos por eles? Como já foi proposto por outros, os bárbaros de Kaváfis podem pertencer ao clima de decadência literária do final do século XIX ou à atmosfera de incerteza política e declínio no Egito colonial ou, como sugiro, no Reino da Hélade, ainda em luta contra o império Otomano. Mais amplamente definido, seus "bárbaros" podem representar o alter ego decadente de sua sociedade.


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DOI: https://doi.org/10.12957/ellinikovlemma.2017.33684

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