As políticas de combate à violência contra a mulher no Brasil e a “responsabilização” dos “homens autores de violência”

Aparecida Fonseca Moraes, Letícia Ribeiro

Resumen


O artigo analisa os significados que os homens acusados de violência atribuem às agressões perpetradas contra as mulheres, no contexto da Lei Maria da Penha e de suas políticas públicas no Brasil. Chama a atenção também para as possíveis contribuições da abordagem interacionista e para a importância do foco nas ideias e nos valores nas análises das políticas públicas, principalmente aquelas que alcançam as identidades. A pesquisa realizada em Grupos de Reflexão para homens autores de violência em um Juizado de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher na cidade do Rio de Janeiro mostrou como alguns valores e ideias difundidos, como aqueles associados à “responsabilização” do agressor, são confrontados pelos homens. Muitas vezes eles recorrem às circunstâncias da situação nas quais ocorreram os conflitos interpessoais do casal de modo a denotar as agressões como uma resposta, ou até mesmo punição, ao comportamento inadequado das mulheres, que teriam desafiado a divisão tradicional dos papéis de gênero, reconhecida por eles como universalmente aceita. 

Palavras-chave: gênero; violência; políticas públicas; interacionismo

 

 

Las políticas de combate a la violencia contra la mujer en el Brasil y la “responsabilización” de los “hombres autores de violencia”

Resumen. El artículo analiza los significados que hombres acusados de violencia atribuyen a las agresiones perpetradas contra mujeres, en el contexto de la ley Maria da Penha y de las políticas públicas vinculadas a dicha norma. Se señalan las contribuciones de un abordaje interaccionista y la importancia de enfocar ideas y valores en el análisis de políticas públicas, especialmente de aquellas que involucran a identidades. La investigación, realizada en “Grupos de Reflexión para hombres autores de violencia de un Juzgado de Violencia Doméstica y Familiar contra la Mujer” de la ciudad de Río de Janeiro, mostró cómo determinadas ideas y valores difundidos –como los asociados a la “responsabilización” del agresor– son confrontados por los hombres. Ellos recurren frecuentemente a las circunstancias de la situación en la que tuvieron lugar los conflictos de la pareja, para denotar las agresiones como una respuesta –y hasta como un castigo– al comportamiento inadecuado de mujeres que habrían desafiado la división tradicional de roles de género, que estos hombres reconocerían como aceptada universalmente.

Palabras clave: género; violencia; políticas públicas; interaccionismo

 

 

State policy on violence against women in Brazil and men’s accountability

Abstract. This article analyses the meanings that men accused of violence attach to abuse against women, in the context of the Maria da Penha Act and current public policy. Attention is drawn to the possible contributions of an interactionist approach, focusing on the importance of ideas and values in the analysis of public policies, especially those that take identities into account. Research on discussion groups at Domestic and Family Violence against Women Court indicated how some diffused values and ideas, like those associated with aggressor “accountability” of the aggressor, are confronted by men. They frequently refer to the situational circumstances in which the couple’s interpersonal conflicts occurred, identifying the aggressions as a response, or even punishment, for the inappropriate behavior of women who would have challenged the traditional division of gender roles, recognized by men as universally accepted.

Keywords: gender; violence; public policies; interactionism


Palabras clave


gênero; violência; políticas públicas; interacionismo