Etnoatlas Geográfico Participativo
Cartografia Como Resistência e Memória nas Comunidades Quilombolas da Costa Verde (RJ)
DOI:
https://doi.org/10.12957/cdf.2026.97007Palavras-chave:
mapeamento participativo; comunidades tradicionais; Costa Verde; atlas.Resumo
Historicamente, a cartografia tem servido como instrumento de poder e controle territorial. No entanto, para as comunidades quilombolas, o mapa pode ser ressignificado como uma ferramenta de afirmação identitária e defesa de direitos. Este trabalho descreve a elaboração de um Etnoatlas Geográfico Participativo focado nas comunidades quilombolas da região da Costa Verde, localizado no litoral sul fluminense. O objetivo central é integrar conhecimentos geográficos, históricos e culturais para divulgação e conhecimentos desses povos tradicionais, bem como para fortalecer a luta pela permanência no território e visando promover a autonomia na gestão territorial dessas populações. Como percurso metodológico, a pesquisa-ação e a cartografia social foram essenciais para a construção desse material. A elaboração coletiva do Etnoatlas ampliou o diálogo entre universidade e comunidades e gerou um material didático e político que pode ser utilizado em espaços institucionais, assim como em ambientes escolares, pensando em uma educação antirracista e quilombola. Além disso, o processo estimulou o protagonismo local e contribuiu para dar visibilidade às demandas territoriais. Desta forma, percebe-se o Etnoatlas Geográfico Participativo como uma ferramenta estratégica de resistência e educação, pois transforma a cartografia em instrumento de justiça social, valorização cultural e fortalecimento da autonomia quilombola na gestão e defesa de seus territórios.
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