Entre Ondas, Memórias e Ossadas
O Caso do Sítio Arqueológico Cemitério de Manguinhos/RJ
DOI:
https://doi.org/10.12957/cdf.2026.96733Palavras-chave:
patrimônio difícil; gabinete de arqueologia; GP officina; memória quilombola; justiça social.Resumo
Entre ossadas reveladas pelas marés e memórias que insistem em permanecer, o cemitério de Manguinhos/RJ testemunha a violência do passado e a luta pela dignidade no presente. Este artigo analisa o sítio arqueológico histórico da Praia de Manguinhos, no litoral norte do estado do Rio de Janeiro, como um lugar de memórias difíceis, marcado pela violência do tráfico transatlântico de africanos escravizados. A partir de uma perspectiva interdisciplinar, que articula História, Arqueologia, Antropologia e estudos sobre memória e patrimônio, examinamos as descobertas arqueológicas realizadas no local desde a década de 1990, bem como as tensões envolvendo a comunidade quilombola de Barrinha, situada nas proximidades. O trabalho destaca as disputas simbólicas e políticas em torno da gestão desse patrimônio, problematizando as práticas institucionais e dos especialistas que afastam as comunidades tradicionais da participação efetiva na preservação de sua própria história. Ao abordar o caso de Manguinhos, o artigo propõe reflexões sobre acesso patrimonial, memórias traumáticas e o poder que os patrimônios possuem em serem simultaneamente espaços de dores e resistências.
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