Identidades culturais na Baixada Fluminense
referências profundas das “raízes que ficam"
DOI:
https://doi.org/10.12957/cdf.2025.94285Palavras-chave:
Ponto de memória, Baixada Fluminense, Acervos comunitários, Território e identidadeResumo
O presente trabalho analisa as potências de produção de memórias e histórias, por meio de registro e divulgação das referências identitárias no/do território a partir de Ponto de Memória. Em perspectiva de escala, foram realizadas entrevistas com alguns dos primeiros moradores de uma comunidade que se estabeleceu por meio de uma ocupação nos anos 1990, no segundo distrito do município de Duque de Caxias, em um morro que ficou, inicialmente, conhecido como "morro da farinha", e onde, atualmente, está localizado o ponto de memória “Varanda Cultural Abolição”. A partir de um referencial teórico de Nêgo Bispo (2023), amplia-se o olhar para o processo de apagamento colonial que invisibiliza os símbolos e as significações dos modos de vida de um povo por outra cultura por meio de práticas de violência, com desdobramentos diversos ao longo do tempo. Isso foi identificado com a referência a nomenclatura “morro da farinha”, carregado de estereótipos do nordeste brasileiro. A farinha de mandioca, também consumida pelos nordestinos, nem sempre é mobilizada de forma positivada ou mesmo em perspectiva histórica, como referência de uma raiz ainda mais profunda de identidade dos primeiros habitantes em terras pindoramas e com valor existencial. Assim, os documentos advindos de um ponto de memória foi um caminho fértil para busca das marcas e raízes históricas dos moradores, que vivendo em um território periférico como Baixada Fluminense, alimentam e carregam suas marcas ancestrais de sabedorias e práticas culturais, expressos na comida, nas rezas, nos sabores e saberes.
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