Apagamento e história
George March e o mito da fundação de Teresópolis
DOI:
https://doi.org/10.12957/cdf.2025.91052Palavras-chave:
Teresópolis, apagamento histórico, colonialismo, Georg March, quilombosResumo
Este artigo analisa criticamente as narrativas hegemônicas sobre a fundação de Teresópolis (RJ), centradas na figura do colonizador inglês George March, e revela o apagamento sistemático das presenças indígena e negra no processo de ocupação da Serra dos Órgãos. Partindo da perspectiva teórica de Walter Benjamin sobre monumentos como registros da barbárie, o estudo examina obras canônicas como Colonização de Teresópolis (Ferrez, 1970) e Imagens de Teresópolis (Rahal, 1984), demonstrando como a construção do mito fundacional europeizado silenciou trajetórias de resistência, como o Quilombo da Serra e as trilhas abertas por tropeiros escravizados. Metodologicamente, articula análise documental e crítica historiográfica para desvelar contradições entre o discurso do "território vazio" (presente em Alencar e memorialistas locais) e evidências de ocupação pré-colonial. Conclui-se que essa invisibilização sustenta políticas contemporâneas, como o projeto turístico "Serra Verde Imperial", que naturaliza a memória colonial.
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