Materialidades digitais como tecnopolítica
DOI:
https://doi.org/10.12957/arcosdesign.2026.95390Palavras-chave:
Materialidades, Plataformas, TecnopolíticaResumo
O ensaio investiga como as materialidades das plataformas digitais configuram-se como objetos tecnopolíticos. A partir da metodologia desenvolvida no Lab404 (UFBA), propõe-se uma abordagem neomaterialista e não antropocêntrica. As plataformas são compreendidas como sistemas performativos que articulam plataformização, dataficação e performatividade algorítmica (PDPA), instaurando formas de vigilância, modulação de comportamentos, extração de dados e novas formas de governamentalidade. O artigo analisa casos empíricos de pesquisas do Lab404 que evidenciam as dimensões políticas das materialidades digitais: scripts e cookies como agentes ocultos de vigilância; interfaces maliciosas em aplicativos públicos que induzem consentimento; vigilância em aplicativos de monitoramento em saúde; vieses de gênero em plataformas de encontros e transporte; produção de desinformação como fenômeno material das interfaces; responsabilização jurídica das plataformas que reconhece sua agência algorítmica; e “autonomia disciplinada” de iniciativas cooperativistas dependentes de infraestruturas globais. Conclui-se que as materialidades das plataformas atuam como infraestruturas políticas, definindo modos de relação, de visibilidade e de controle.
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