Imagens que a máquina lê, mundos que ela apaga
notas sobre epistemicídio computacional
DOI:
https://doi.org/10.12957/arcosdesign.2026.95285Palavras-chave:
Epistemicídio computacional, visão computacional, inteligência artificialResumo
Escrevo como cientista da computação formada para otimizar e abstrair, mas hoje situada nas bordas entre o código, a crítica social e as epistemologias negras. Nesse lugar, a visão computacional deixa de ser apenas um problema técnico e passa a ser um campo de disputa: quem define o que é erro, quem desaparece como ruído, quem é reconhecido como padrão. Em diálogo com o conceito de epistemicídio e com o ensaio “Contra a métrica do mundo”, desenvolvo a ideia de epistemicídio computacional aplicada à imagem. Analiso três regimes de imagens algoritmizadas – de treino, operacionais e de plataforma – em contraste com formas socializadas de circulação de imagens como prova, memória e contranarrativa. O ensaio marca a importância de formular essa crítica a partir da computação, em um mestrado em Inteligência Artificial, para confrontar os limites do modo como os algoritmos “leem” imagens e reorganizam o mundo.Ao fazer isso, sigo demarcando lugar: escrevo a partir de um sistema técnico e institucional, mas orientada por projetos de emancipação coletiva que não cabem nas métricas desse sistema.
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