Fantástico na América Latina: continuidade e desvios
Postado em 2026-07-28Editores:
Flavio García (UERJ, Brasil)
Xaquín Núñez Sabarís (UMinho, Portugal)
Cesar Dominguez (Universidade de Santiago de Compostela USC, Espanha)
Ementa: Admitido como gênero ou modo, o fantástico viveu momentos de euforia e disforia ao longo dos tempos. O século XIX registrou o surgimento do fantástico no |Ocidente. Na América Latina, tal se deu especialmente no Brasil, com Álvares de Azevedo, Machado de Assis e Joaquim Manoel de Macedo e na Argentina com Eduardo Ladislao Holmberg e Juana Manuela Gorriti. No século XX, despontam autores e obras que sobrelevam a ficção fantástica na América Latina. Na Argentina, Jorge Luis Borges e Julio Cortázar são nomes que não se podem esquecer; na Colômbia, Gabriel García Márquez ocupa lugar de destaque internacional; no Chile, desponta Isabel Allende; e no México, Juan Rulfo é o escritor fantástico de maior relevo.
As publicações desses autores – entre outros, dessas mesmas nacionalidades ou não –, cuja parte da crítica subscreve no fantástico, não se inscrevem, propriamente, no fantástico genológico, conforme Tzvetan Todorov o definiu em seu paradigmático Introdução à literatura fantástica (1970). Os três escritores brasileiros aqui mencionados e o argentino Cortázar transitaram, de fato, pelo gênero fantástico. Os demais autores esvaíram-se pelo modo fantástico, tal qual Remo Ceserani, em O fantástico (1996), aludindo à Irène Bessière (1974), ou Filipe Furtado, em verbete sobre o modo fantástico (2009), ressignificando a fantasia segundo Rosemary Jackson (1981), propuseram.
A viragem do século XX para o XXI abriu novos horizontes, em diferentes médias, para a ficção fantástica, imiscuindo as visões genológica e modal. Assim, o século XXI tem vivenciado uma plêiade de autores e obras que tangenciam matizes dessa ampla diversidade de produções.
Este dossiê “Fantástico na América Latina: continuidade e desvios” espera reunir ensaios que tematizem essas questões, apresentando novas óticas sobre o tema ou problematizando visões já existentes.