O RETRATO DE LADY AUDLEY: IDENTIDADE E MERCADORIA
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Resumen
Este artigo analisa Lady Audley’s Secret (1862), de Mary Elizabeth Braddon, um dos principais romances de sensação vitorianos, a partir do retrato pré-rafaelita de Lady Audley. A pintura é apresentada como um elemento inquietante, que sintetiza de forma dissonante a dicotomia santa/demônio associada à personagem, ao mesmo tempo em que sinaliza suas múltiplas identidades fragmentadas. Essas identidades, adotadas ao longo de sua vida, não emergem como uma expressão de seu eu interno, mas como respostas a motivações externas e circunstâncias sociais. Além disso, o retrato atua como um elemento de dupla validação da posição de Lucy como senhora de Audley Court: ao representá-la em dos aposentos da casa, inscreve-a esteticamente na história do local; ao ser exibido no edifício, funciona como uma prova material de sua posição, colocando-a em pé de igualdade com os demais membros da família a partir da reificação retratista. Por fim, o artigo explora tanto o retrato quanto a própria identidade de Lady Audley como mercadorias, examinando as implicações dessa objetificação no contexto social e cultural do período.
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