Monstros e monstruosidades: o mal que está à mostra
Veröffentlicht am 2026-03-03Monstros e monstruosidades: o mal que está à mostra
Os monstros podem tanto ser oriundos do horror artístico, concebidos por um sobrenatural de invenção estética, quanto de sujeitos e práticas consideradas monstruosas em contextos sociais, históricos e simbólicos. O monstro, produto do imaginário proteico da cultura, não se encerra em um domínio restrito, pois, como signo da alteridade, está em constante deslizamento nas fronteiras para questionar os limites do humano e da norma.
O monstruoso, por sua vez, permite refletir epistemologicamente sobre comportamentos e fenômenos à luz de questões éticas, jurídicas e políticas, uma vez que aquilo que rompe os conteúdos repressivos e normativos da cultura envereda ora para o campo do crime e do pecado, ora para o debate entre o normal e o patológico.
O monstro, portanto, é uma figura heurística compreendida como potência de desordem e revelação, que tensiona as categorias do humano e do inumano, do natural e do artificial, do objeto e do abjeto, abrindo espaço para debates contemporâneos sobre pós-humanismo, ecologias críticas, biopolíticas e imaginações especulativas.
Ao percorrer territórios híbridos de representações do insólito, do gótico e do horror, em tramas criminais e metafóricas, o monstro emerge como reverberação histórica e ruído das tensões que moldam o sujeito e a coletividade.
Este dossiê pretende divulgar pesquisas interdisciplinares e leituras críticas plurais que dialoguem com perspectivas literárias, cinematográficas, filosóficas, psicanalíticas, políticas, culturais e ambientais, reunindo um panorama diversificado de visões sobre o monstruoso, desde suas configurações simbólicas e estéticas até suas reverberações éticas, sociais e ambientais na atualidade.