Psicologia social e movimentos sociais: uma revisão contextualizada / Social psychology and social movements: a contextualized review

Jaqueline Gomes de Jesus

Resumo


RESUMO: Os novos movimentos sociais se expressam na forma de mobilizações conhecidas como ocupações e marchas, a fim de demarcar orientações ideológicas e/ou políticas. Marchas pelo direito das mulheres sobre os seus corpos (Marcha das Vadias), das trabalhadoras do campo (Marcha das Margaridas), da população negra (Marcha Zumbi), de lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais (Paradas do Orgulho LGBT), de grupos religiosos (Marcha para Jesus), pela liberalização do uso de drogas (Marcha da Maconha), são cada vez mais visíveis, e mais do que apenas configurar um quadro de movimentação massiva na defesa de ideologias, sistemas de crenças ou direitos, elas podem ser entendidas como fenômenos de cunho psicossocial que promovem o fortalecimento de identidades sociais degradadas e a reconstrução de grupos sociais historicamente discriminados. São ações coletivas, no espaço público das ruas, que mantêm uma relação dinâmica e conflituosa entre os grupos e a sociedade, reivindicando vida plena, nas ruas. A presente revisão de bibliografia visa apresentar olhares e métodos da Psicologia Social frente aos movimentos sociais, apresentando como pano de fundo para a análise contextualizada da aplicação desses saberes e modos de fazer, mobilizações com base nas dimensões de gênero, orientação sexual e raça/etnia realizadas no Brasil contemporâneo.

 

ABSTRACT: The new social movements are expressed in the form of mobilizations known as occupations or marches, in order to demarcate ideological and/or political orientations. Marches for the rights of women over their bodies (Slutwalk), of the rural field workers (March of the Daisies), of the black population (Zumbi March), of the lesbian, gay, bisexual and transgender (LGBT Pride Parades), of religious groups (March for Jesus), for the liberalization of drug use (Marijuana March), are increasingly visible, and more than to configure a framework of massive movement in defense of ideologies, belief systems or rights, they can be understood as psychosocial phenomena that promote the strengthening of degraded social identities and the reconstruction of historically discriminated social groups. They are collective actions in the public space of streets that maintain a dynamic and conflicting relationship between groups and society, claiming full life, in the streets. This literature review aims to present perspectives and methods of the Social Psychology faced to social movements, providing as background for the contextualized analysis of the application of such knowledges and “ways to do”, mobilizations based on the dimensions of gender, sexual orientation and race/ethnicity held in contemporary Brazil.


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