Zungus, mídia e a (in)segurança pública:

as espacialidades e vivências negras na cidade Rio de Janeiro durante a segunda metade do século XIX

Autores

DOI:

https://doi.org/10.12957/tamoios.2026.85498

Resumo

Por contemplarmos o espaço como algo não fechado, mas em constante construção, o presente trabalho tem por objetivo geral compreender os zungus como espacialidades negras responsáveis pela manutenção da cultura afro-diaspórica na cidade do Rio de Janeiro durante o século XIX, apesar do empenho da branquitude em apagar sua memória, através dos projetos de higienização e controle dos corpos. Ao ser condenado em sua própria existência, os corpos negros, tão presentes no cotidiano da cidade, conforme destacam as pinturas de Debret, tem as suas espacialidades usurpadas pelas narrativas construídas e cristalizadas pela branquitude. Por isso, as Geografias Negras têm o papel de [re]construir o espaço a partir de narrativas subalternizadas, pois ao mostrar que toda existência é espacial, tencionam-se as invisibilidades ou até mesmo ocorrem apagamentos idealizados pelo discurso dominante. Para a elaboração do artigo em tela, inicialmente realizamos uma pesquisa documental na hemeroteca digital da Biblioteca Nacional, buscando recuperar notícias de jornais a respeito dos zungus, na segunda metade do século XIX. Em seguida, selecionamos as matérias mais expressivas e utilizamos a metodologia de análise do discurso visando verificar o discurso ideológico nelas embutidos, uma vez que as reportagens não só denunciavam, mas também condenavam as espacialidades negras. Apesar do uso da mídia e da força policial, a cultura afro-diaspórica permanece viva no século XIX, por isso, resgatar as memórias espaciais da população negra, representa recontar a história a partir de outras narrativas e criar novas possibilidades de futuro.

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Biografia do Autor

Ivan Ignácio Pimentel, Universidade do Estado do Rio de Janeiro

Professor Adjunto do Departamento de Geografia Humana do Instituto de Geografia, UERJ, Campus Maracanã; pesquisador do Grupo de Pesquisa GeoCorpo e Membro Colaborador do Programa de Pós-Graduação em Geografia, UERJ.

Felipe Souza dos Santos, Universidade do Estado do Rio de Janeiro

Graduando em Geografia pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro,  membro do grupo de pesquisa GeoCorpo e Pesquisador (Eixo de Segurança Pública e Acesso à Justiça) na Redes da Maré

Ulisses da Silva Fernandes, Universidade do Estado do Rio de Janeiro

Professor Associado do Departamento de Geografia Humana do Instituto de Geografia, UERJ, Campus Maracanã; Membro Permanente do Programa de Pós-Graduação em Geografia, UERJ.

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Publicado

2026-01-26

Como Citar

PIMENTEL, Ivan Ignácio; FELIPE SOUZA DOS SANTOS; ULISSES DA SILVA FERNANDES. Zungus, mídia e a (in)segurança pública:: as espacialidades e vivências negras na cidade Rio de Janeiro durante a segunda metade do século XIX. Revista Tamoios, São Gonçalo, v. 22, n. 1, 2026. DOI: 10.12957/tamoios.2026.85498. Disponível em: https://www.e-publicacoes.uerj.br/tamoios/article/view/85498. Acesso em: 5 fev. 2026.

Edição

Seção

O Sentido das Coisas