O Manto Tupinambá em Retorno: reavivando museus e articulando práticas decoloniais e resistências transnacionais | The Returning Tupinambá Cloak: Reviving Museums and Articulating Decolonial Practices and Transnational Resistances
Palavras-chave:
Repatriação, Colonialidade, MuseusResumo
Este artigo analisa criticamente o processo de repatriação do Manto Tupinambá à luz das Relações Internacionais, articulando colonialidade, diplomacia cultural e a função política dos museus. O objetivo é investigar como a devolução do artefato mobiliza disputas transnacionais de poder, memória e resistência, evidenciando a atuação de redes insurgentes que reconfiguram os marcos da diplomacia tradicional. Metodologicamente, adota-se um estudo de caso com orientação teórico-analítica decolonial, sustentado pela análise de documentos oficiais, reportagens, entrevistas e registros audiovisuais relativos à devolução do Manto entre 2000 e 2024. Argumenta-se que os museus devem ser compreendidos não apenas como repositórios de memória, mas como espaços vivos de disputa e resistência. Conclui-se que a repatriação constitui prática decolonial e diplomática, que desafia hierarquias históricas no sistema internacional e reposiciona os museus como agentes de transformação e justiça histórica.
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