Editorial
DOI:
https://doi.org/10.12957/mnemosine.2025.97639Resumo
Esta publicação do segundo volume do dossiê “Vigiar e Punir: 50 anos depois” chega ao público em um tempo que, embora ligeiramente deslocado em relação ao cronograma inicialmente previsto, não é distante das próprias questões que compõem a obra que o inspira. Dando continuidade ao primeiro volume, ela aprofunda e desloca o campo de problematizações aberto pela comemoração dos cinquenta anos de Vigiar e Punir. Encontramos um duplo movimento que tensiona e expande o programa genealógico: de um lado, um retorno às condições de emergência dessas análises; de outro, sua abertura a domínios que escapam ao horizonte temático originalmente privilegiado por Foucault. Destaca-se a tradução dos cadernos do Grupo de Informações sobre as Prisões (GIP), que friccionam as fronteiras entre pesquisa, militância e escrita, assim como o texto de Vinciane Despret e outros trabalhos que ampliam o campo da política para além do humano. Cinquenta anos depois, talvez o desafio não seja apenas reler Foucault, mas colocar sua obra em risco — isto é, fazê-la operar em terrenos que ela própria não antecipou, permitindo que se transforme no encontro com outras questões, outros corpos, outras lutas. Boa leitura!