Considerações sobre os 50 anos do Vigiar e Punir

da reclusão disciplinar ao massacre a céu aberto

Autores

  • Esther Maria de Magalhães Arantes Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ)
  • Paulo Armando Esteves Martins Viana Universidade Federal do Rio de Janeiro – Campus Macaé (UFRJ-Macaé)

DOI:

https://doi.org/10.12957/mnemosine.2025.95871

Palavras-chave:

suplício, disciplina, infância/adolescência

Resumo

O presente texto pretende apresentar algumas análises, inspiradas no livro Vigiar e Punir: O Nascimento da Prisão de Michel Foucault, sobre a constituição da sociedade punitiva, a emergência da forma-prisão como tecnologia de disciplinarização dos corpos em meio às exigências do capitalismo e contextualizar historicamente os modos como foi se estabelecendo uma certa assistência à infância e adolescência após a abolição da escravidão no Brasil, demonstrando, desta forma, a maneira como o racismo foi decisivo na construção de técnicas e dispositivos de controle da infância negra e pobre, bem como os paradoxos entre a implementação de uma ordenação disciplinar sobre a infância pautada nas experiências europeias e uma concepção racista que retira a alma e a humanidade dos corpos escravizados ou ex-escravizados. Portanto, a questão: Como disciplinar, vigiar e punir pessoas cuja característica fundamental dos corpos seja a falta de alma?

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Biografia do Autor

Esther Maria de Magalhães Arantes, Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ)

Mestre e Doutora em Educação. Docente do Programa de Pós-Graduação em Políticas Públicas e Formação Humana da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (PPFH-UERJ).

Paulo Armando Esteves Martins Viana, Universidade Federal do Rio de Janeiro – Campus Macaé (UFRJ-Macaé)

Mestre em Psicologia e Doutor em Políticas Públicas e Formação Humana. Docente da Universidade Federal do Rio de Janeiro – Campus Macaé (UFRJ-Macaé).

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Publicado

2025-12-24

Como Citar

MARIA DE MAGALHÃES ARANTES, Esther; ARMANDO ESTEVES MARTINS VIANA, Paulo. Considerações sobre os 50 anos do Vigiar e Punir : da reclusão disciplinar ao massacre a céu aberto. Mnemosine, Rio de Janeiro, v. 21, n. 1, p. 38–65, 2025. DOI: 10.12957/mnemosine.2025.95871. Disponível em: https://www.e-publicacoes.uerj.br/mnemosine/article/view/95871. Acesso em: 4 fev. 2026.