Estética animista: memória e (re)existência na narrativa de Ungulani Ba Ka Khosa

Autores

  • Salomão António Massingue Universidade Save (UniSave) - Moçambique
  • Salomão António Massingue Universidade Save - Moçambique
  • José José Fornos Universidade Federal do Rio Grande (FURG)

DOI:

https://doi.org/10.12957/transversos.2021.58454

Palavras-chave:

Estética animista, memória, (re)existência

Resumo

O artigo analisa as manifestações da estética animista na sua intercessão com a memória oral como prática de (re)existência na narrativa de Ungulani Ba Ka Khosa. A década 50 do século XX é um importante marco na produção literária em países africanos de língua portuguesa. Escritores assumem o protagonismo na reinvenção das suas sociedades, historicamente subjugadas pelo sistema colonial, num processo pautado pelo questionamento dos cânones literários ocidentais, e pela (re) busca de um passado cultural ancestral e sua incorporação na literatura. Contudo, ainda se reduzia essa produção a categorias desfasadas do conteúdo narrado. A estética animista irrompe como um paradigma de análise mais consentâneo com os universos simbólico e cultural representados nessa produção, concretamente na narrativa. É nessa corrente em que se insere este estudo para a fundamentação do qual se baseou, fundamentalmente, em Garuba, 2003, 2012.

 

Biografia do Autor

Salomão António Massingue, Universidade Save (UniSave) - Moçambique

Doutorando em Letras, área de Concentração em Literatura, pela Universidade Federal do Rio Grande. Mestrado em Literaturas Africanas de Língua Portuguesa Universidade Pedagógica. Graduado em Ensino de Português pela FCLCA da UP. Integrado na carreira de Assistente Universitário, é Docente das Literaturas Africanas de Língua Portuguesa. Sua pesquisa está direccionada para as relações entre Memória, História e Esquecimento nas Literaturas Africanas de Língua Portuguesa e inclui análise de discurso, bem como questões identitárias na narrativa moçambicana contemporânea.

Salomão António Massingue, Universidade Save - Moçambique

Possui mestrado em Letras - concentração em Teoria da Literatura, com ênfase em Literatura Portuguesa, pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (1999) e doutorado em Letras pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (2004). Atualmente é professor-associado da Universidade Federal do Rio Grande. Tem experiência na área de Letras, com linha de pesquisa em Literatura Portuguesa e Literaturas Africanas de Língua Portuguesa, investigando teorias que abordam a relação entre literatura, cultura e sociedade.

José José Fornos, Universidade Federal do Rio Grande (FURG)

Possui mestrado em Letras - concentração em Teoria da Literatura, com ênfase em Literatura Portuguesa, pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (1999) e doutorado em Letras pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (2004). Atualmente é professor-associado da Universidade Federal do Rio Grande. Tem experiência na área de Letras, com linha de pesquisa em Literatura Portuguesa e Literaturas Africanas de Língua Portuguesa, investigando teorias que abordam a relação entre literatura, cultura e sociedade.

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Publicado

2021-08-30