“SE ELES FAZEM MIL, TEMOS DE FAZER MIL E UM” - E ELA FEZ! TRAJETÓRIA ACADÊMICA DE UMA DOUTORA NEGRA NOS ANOS 1970

Jonê Carla Baião

Resumo


 

Este texto é um desafio a uma “viagem” a história de uma das mulheres da minha família. Cresci numa família grande. Minha mãe teve dez filhos, sendo sete mulheres. Minha avó teve 13 filhos, sendo 9 mulheres e cinco homens. Numa família de forte presença feminina, está entre elas a figura da Tia Calu. Olhar para história de vida da tia Calu e escrevê-la é compartilhar um pouco do que uma família negra, pobre de uma metrópole como Rio de Janeiro pode experenciar em sua trajetória acadêmica. Falar de racismo nessa trajetória é redundância para mulheres pretas. Escrever me fez olhar para dentro de nossa família e pensar a história e trajetória acadêmica da mulher negra no Brasil no século 20/21. Ao final do texto falo da minha experiência em 2020 ao participar como avaliadora em uma banca de Mestrado e puxo o fio da conversa para pensarmos por que ainda precisamos de tanta luta antirracista?  

 


Palavras-chave


Trajetória de vida acadêmica; interseccionalidade; racismo.

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DOI: https://doi.org/10.12957/transversos.2021.54964

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