AS ESCREVIVÊNCIAS DE JUREMA BATISTA: PROTAGONISMO E INTERSECCIONALIDADE DE GÊNERO E RAÇA

Maria Angélica Zubaran, Denise Bock de Andrade

Resumo


Este estudo analisa as escrevivências de Jurema Batista, mulher negra de comunidade, graduada em Letras, eleita três vezes vereadora pelo Partido dos Trabalhadores (PT) em 1992, 1996, 2000 e deputada estadual em 2002, na obra Sem passar pela vida em branco: memórias de uma guerreira, produzida em coautoria com Miria Ribeiro e publicada pela Editora Pallas em 2011. O objetivo central deste estudo é analisar e problematizar as representações racializadas e a intersecção de gênero e raça ao longo das narrativas de Jurema Batista na construção das identidades culturais de mulheres negras na sociedade brasileira. Em termos teóricos, adota-se a perspectiva dos Estudos Culturais em Educação, a partir da apropriação de conceitos como representação, identidade, interseccionalidade de gênero e raça e do conceito de escrevivências. Observa-se que as escrevivências de Jurema Batista revelam opressões interseccionais de gênero e de raça que se entrecruzam na construção de sua identidade de mulher negra de comunidade. Por outro lado, suas narrativas demonstram uma contínua trajetória de contestação às representações racializadas e um protagonismo comprometido com os direitos sociais e às necessidades da comunidade do Andaraí (RJ).


Palavras-chave


mulher negra; identidade; protagonismo; interseccionalidade de gênero e raça

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DOI: https://doi.org/10.12957/transversos.2020.54293

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