DEUSES DO EGITO (2016): UMA NARRATIVA FÍLMICA DA CIVILIZAÇÃO BRANCA

José Maria Gomes de Souza Neto

Resumo


O cinema tem sido, desde as primeiras décadas do séc. XX, um poderoso construtor de consciência histórica. Embora sejam declaradamente fictícios, os filmes elaboram a visão que se tem dos tempos retratados, constrói duradouras impressões do passado, elaboradas a despeito da história ensinada na escola ou nos livros. Nessa perspectiva, Deuses do Egito (2016) exibe uma imagem do Egito repleta de elementos imperialistas e racistas, que precisam ser debatidos pelos profissionais de história.

Palavras-chave


Egito, Cinema, Ensino de História. embranquecimento

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Referências


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DOI: https://doi.org/10.12957/transversos.2019.44749

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