DIDÁTICA DA HISTÓRIA E CURRÍCULOS PARA O ENSINO DE HISTÓRIA: RELACIONANDO PASSADO, PRESENTE E FUTURO NA DISCUSSÃO SOBRE O EUROCENTRISMO

Jean Carlos Moreno

Resumo


Partindo do mal-estar produzido pela discussão da primeira versão da Base Nacional Comum Curricular (BNCC), propomos analisar as possibilidades e limites da apropriação da Didática da História ruseniana como uma das bases para pensar os currículos de História contemporâneos no Brasil e na América Latina como um todo. As potencialidades são construídas a partir do caráter conceitual do pensamento histórico, destacando as noções de sentido e orientação em sua relação com a subjetividade humana, no atendimento às exigências externas da vida prática e internas da autocompreensão identitária. As limitações estariam ligadas à própria leitura do passado e do presente latino-americano que, pela dificuldade em superar sua história recente de colonização, impõe desafios extremos de orientação em relação à construção da moderna noção de autonomia individual e coletiva.


Palavras-chave


Currículo; BNCC; Didática da História; Jörn Rüsen

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DOI: https://doi.org/10.12957/transversos.2019.44739

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