A CRÍTICA EUROCÊNTRICA NO ENSINO DE HISTÓRIA DA AMÉRICA: ABORDAGENS SOBRE A RETÓRICA LASCASIANA

Rafael Gonçalves Borges

Resumo


A crítica ao eurocentrismo como paradigma epistemológico de produção e comunicação do conhecimento histórico é um tema recorrente na pesquisa e no ensino de História da América. Este texto se dedica a problematizar a importância da historiografia em América para uma crítica eurocêntrica, dando atenção especial à forma como diferentes abordagens teóricas são produzidas acerca da obra de Bartolomeu de Las Casas, frade dominicano conhecido pela sua atuação na defesa dos indígenas no México colonial e, portanto, um primeiro crítico da modernidade europeia. A ideia é comparar as reflexões produzidas na historiografia nacional de América que tecem críticas severas a uma abordagem lascasiana da colonização e da sociedade americana como um todo, com abordagens em diálogo com a teoria decolonial produzida na América Latina, com ênfase em Enrique Dussel, que oferecem uma visão mais positiva da produção do frade. No limite, propõe-se a reflexão sobre a atualidade do debate no sentido de consecução de práticas políticas contemporâneas a partir do ensino da disciplina histórica.


Palavras-chave


ensino de História, eurocentrismo, Las Casas, decolonialidade.

Texto completo:

PDF

Referências


BARCA, Isabel. Ideias chave para a produção da ciência histórica: uma busca de (inter)identidades. História Revista, v. 17, n. 1, Goiânia, jan./jun. 2012, p. 37-51.

BALLESTRIN, Luciana. América Latina e o giro decolonial. In: Revista Brasileira de Ciência Política, n. 11, Brasília, mai./jun. 2013, p. 89-117.

BARNARDAS, Josep. A Igreja Católica na América Espanhola Colonial. In: BETHEL, Leslie (org.). História da América Latina: A América Latina Colonial. São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo; Brasília, DF: Fundação Alexandre de Gusmão, 2012.

BRUIT, Héctor H. América Latina: Quinhentos Anos entre a Resistência e a Revolução. Revista Brasileira de História, São Paulo, v. 10, n. 20, p. 147-171, 1991.

__________. O visível e o invisível na conquista da América Espanhola. In: VAINFAS, Ronaldo (org.). América em tempo de conquista. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1992.

CASTRO-GÓMEZ, Santiago; GROSFOGUEL, Ramón. Prólogo: Giro decolonial, teoria crítica y pensamiento heterárquico. In: __________. El giro decolonial: reflexiones para uma diversidad epistémica más allá del capitalismo global. Bogotá: Siglo del Hombre Editores, 2007.

DUSSEL, Enrique. 1492 O Encobrimento do Outro: a origem do mito da modernidade. Petrópolis: Vozes, 1993.

__________. Europa, modernidade e eurocentrismo. In: A colonialidade do saber: eurocentrismo e ciências sociais. Perspectivas latino-americanas. LANDER, Edgardo (org.). Buenos Aires: CLACSO, 2005. Disponível em: < http://biblioteca.clacso.edu.ar/ar/libros/lander/pt/lander.html> Acesso em: 05 mai. 2019.

__________. Meditações Anticartesianas sobre a origem do antidiscurso filosófico da modernidade. In: SANTOS, Boaventura de Sousa; MENESES, Maria Paula. Epistemologias do Sul. São Paulo: Cortez, 2010.

__________. Transmodernidade e interculturalidade: interpretação a partir da filosofia da libertação. In: Revista Sociedade e Estado, v. 31, n. 1, Brasília, jan./abr. 2016, p. 51-73.

ELLIOT, John H. A Conquista Espanhola e a Colonização da América. In: BETHEL, Leslie (org.). História da América Latina: A América Latina Colonial. São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo; Brasília, DF: Fundação Alexandre de Gusmão, 2012a.

__________. A Igreja Católica na América Espanhola Colonial. In: BETHEL, Leslie (org.). História da América Latina: A América Latina Colonial. São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo; Brasília, DF: Fundação Alexandre de Gusmão, 2012b.

FERNANDES, Luiz Estevam; MORAIS, Marcus Vinícius. “Renovação da História da América”. In: KARNAL, Leandro (org.). História na Sala de Aula. São Paulo: Contexto, 2010.

FONTANA, Josep. O espelho bárbaro. In: ______. A Europa diante do espelho. Bauru, SP: EDUSC, 2005.

FREITAS NETO, José Alves de. Bartolomé de las Casas: a narrativa trágica, o amor cristão e a memória americana. São Paulo: Annablume, 2003.

GROSFOGUEL, Ramón. Para descolonizar os estudos de economia política e os estudos pós-coloniais: transmodernidade, pensamento de fronteira e colonialidade global. In: SANTOS, Boaventura de Sousa; MENESES, Maria Paula. Epistemologias do Sul. São Paulo: Cortez, 2010.

KARNAL, Leandro. As veias fechadas da América Latina. SP: 2001. Disponível em: https://pt.scribd.com/document/194094303/KARNAL-Leandro-Veias-Fechadas-Da-America-Latina. Acesso em 16 jun. 2019.

O’GORMAN, Edmundo. A Invenção da América.São Paulo: Ed. da Unesp, 1992.

RÜSEN, Jorn. Qué es la cultura histórica? reflexiones sobre una nueva manera de abordar la historia. 1994. Disponível em: . Acesso em 12 dez. 2015.

SAID, Edward. Orientalismo: o Oriente como invenção do Ocidente. São Paulo: Companhia das Letras, 2007.

SANTOS, Boavenura de Sousa. Para além do pensamento abissal: das linhas globais a uma ecologia de saberes. In: __________.; MENESES, Maria Paula. Epistemologias do Sul. São Paulo: Cortez, 2010.

SHOHAT, Ella e STAM, Robert. Crítica da imagem eurocêntrica. São Paulo: Cosac Naify, 2006.

TODOROV, Tzvetan. A Conquista da América: a questão do Outro. São Paulo: Martins Fontes, 1993.

WALSH, Catherine. Interculturalidad y Colonialidad del Poder: um pensamiento y posicionamento “otro” desde la diferencia colonial. In: CASTRO-GÓMEZ, Santiago; GROSFOGUEL, Ramón. El giro decolonial: reflexiones para uma diversidad epistémica más allá del capitalismo global. Bogotá: Siglo del Hombre Editores, 2007.

VÍDEOS

ADICHIE, Chimamanda. Chimamanda Adichie: o perigo de uma única história. 2009. (18m45s). Disponível em: < https://www.youtube.com/watch?v=D9Ihs241zeg>. Acesso: 08 jun. 2019.




DOI: https://doi.org/10.12957/transversos.2019.44738

Apontamentos

  • Não há apontamentos.


Direitos autorais 2019 Autor concedendo à Revista Transversos o direito de primeira publicação.

ISSN:2179-7528