ANGOLA (NÃO É) PARA PRINCIPIANTES: ESTEREÓTIPOS, INTERPELAÇÕES E APRENDIZADOS EM TRABALHO DE CAMPO

Paulo Ricardo Muller

Resumo


Neste artigo reflito sobre interpelações por agentes estatais e outros atores pelas quais passei ao fazer trabalho de campo em Angola. Para além dos constrangimentos e inseguranças que geraram, analiso essas situações como fontes para a compreensão de estereótipos através dos quais atores reconhecem e são reconhecidos no cotidiano inseridos em interações pessoais que dramatizam o modo como se relacionam categorias constitutivas da sociedade angolana. Ao final busco mostrar como essas experiências geraram aprendizados a respeito dos modos de navegação social que meus interlocutores consideram naturais e das condições de produção de conhecimento antropológico sobre o contexto angolano.


Palavras-chave


Palavras-chave: trabalho de campo; interpelação; estereótipos; Angola.

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DOI: https://doi.org/10.12957/transversos.2019.42259

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