CORPOS TRANSVIADOS, CORPOS FALHADOS: A ARTE QUEER DO FRACASSO NO DESPORTO

Ana Santos

Resumo


A  partir do lugar desafiante que corpos protésicos e corpos intersexo ocupam no desporto, proponho pensá-los como uma interrupção positiva na “normalidade”, com potencial político na criação de uma identidade híbrida que recusa o encaixe em categorias estanques, tanto de género como de corporeidades (capaz/incapaz, “normal”/ “deficiente”). Para referir-me a essa interrupção positiva faço uso de um conceito trabalhado pelo feminismo digital – glitch –, usado como metáfora dos erros em códigos binários, e situarei estes corpos transviados como lugares de resistência ao regime capacitista à luz da teoria crip desenvolvida por Robert McRuer e da teoria da arte do fracasso de J. Halberstam.

Palavras-chave


fracasso; prótese; intersexo; glitch; desporto.

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DOI: https://doi.org/10.12957/transversos.2018.39335

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ISSN:2179-7528