O combate à doença do sono nas colônias portuguesas na África: medicina sob o signo do racismo e do darwinismo social (1901-1932)

Ewerton Luiz Figueiredo Moura da Silva

Resumo


A doença do sono ou tripanossomíase humana africana teve sua importância na agenda imperialista europeia, pois foi considerada um importante obstáculo para a formação de seus impérios coloniais na África. Neste cenário, as autoridades portuguesas, desejosas em defender as colônias do país frente à concorrência europeia e em promover a ação “civilizadora” de Portugal, enviaram missões de estudo e de combate das chamadas doenças tropicais nas possessões ultramarinas do país. As estratégias de domínio colonial não passaram somente pelo controle das doenças presentes nas colônias, mas também no esforço para combater os saberes e as práticas associados à doença e à cura das sociedades africanas, tratadas na época como racialmente inferiores pelos poderes europeus.


Palavras-chave


doença do sono, Portugal, darwinismo social, medicina tropical

Texto completo:

PDF

Referências


A DOENÇA do somno. A Medicina Contemporânea. Lisboa, ano 19, n.40, 6 out. 1901.

A DOENÇA do somno. O Século, Lisboa, 8 out. 1901.

ABRANCHES, Pedro. O instituto de higiene e medicina tropical. Um século de história 1902-2002. 3.ed. Lisboa: fundação Calouste Gulbenkian. 2002.

ALEXANDRE, Valentim. Velho Brasil novas Áfricas. Portugal e o império (1808-1975). Porto: Afrontamentos, 2000.

AMARAL, Isabel. Emergence of tropical medicine in Portugal: the school of tropical medicine and the colonial hospital of Lisbon. In: Dynamis, v.28, 2008.

AZEVEDO, João Fraga. Estado actual e perspectivas futuras do problema das tripanossomíases africanas. Anais do Instituto de Medicina Tropical, Lisboa, v.21, n.1, 1964.

BECQUEMONT, Daniel. Social darwinism: from reality to myth and from myth to reality. In: Studies in history and philosophy of biological and biomedical sciences. v.42, 2011.

BERTHET, Marina. À sombra do cacau: representações sobre o trabalho forçado nas ilhas de São Tomé e Príncipe. In: Revista do Arquivo Geral da Cidade do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, n.11, 2016. Disponível em: http://wpro.rio.rj.gov.br/revistaagcrj/wp-content/uploads/2016/12/Dossi%C3%AA_Artigo-2.pdf .

COSTA, Bernardo Bruto. Trabalhos sobre a doença do somno. Saneamento, estatística, serviços hospitalares e brigada oficial. Lisboa: A Editora Limitada, 1913.

COSTA, Bernardo Bruto, et.al. Relatório final da missão da doença do sono na ilha do Príncipe. Arquivos de Higiene e Patologia Exóticas, Lisboa, 1915.

COSTA, Vasco Bruto da. A olha do Príncipe e a doença do sono. Anais do Instituto de Medicina Tropical, Lisboa, v.9, n.3, 1952.

CORREA, Sílvio Marcus de Souza. O ‘combate’ às doenças tropicais na imprensa colonial alemã. In: História, Ciência, Saúde – Manguinhos, Rio de Janeiro, 2012. Disponível em: http://www.scielo.br/hcsm.

EXPOSIÇÃO do mundo português – Secção colonial. Lisboa: Neogravura,1940.

FRANÇA, Carlos. Os portugueses da renascença e a medicina tropical. In: Boletim da Agência Geral das Colónias. Lisboa: Agência Geral das Colónias, ano.1, n.2, 1925.

HAVIK, Philip Jan. Public health and tropical modernity: the combatm against sleeping sickness in Portuguese Guinea, 1945-1975. História, ciência e saúde – Manguinhos, Rio de Janeiro, v.21, n.2, 2014.

HERNANDEZ, Leila Leite. A África na sala de aula. Visita à história contemporânea. 2.ed. São Paulo: Selo negro, 2008.

HOBSBAWN, Eric J. A Era dos impérios, 1875-1914. Tradução de Sieni Maria Campos e Yolanda Steidel de Toledo. 8.ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2003.

KOPKE, Ayres. A política sanitária do império. Lisboa: Agência Geral das Colónias, 1936.

LUTZ, Adolpho. Considerações sobre a transmissão de doenças por sugadores de sangue. Folha Médica, Rio de Janeiro, 25 jul.1936.

LYONS, Maryinez. The colonial disease: a social history of sleeping sickness in northen Zaire, 1900-1940. Cambridge: Cambridge University Press, 1992.

MARTINS, João Augusto. Revista sanitária das províncias ultramarinas. Referida ao ano de 1909. Archivos de Hygiene e Pathologia Exoticas, Lisboa, v.3, 1910.

MARTINS, Joaquim Oliveira. Fomento rural e emigração. 3.ed.Lisboa: Guimarães editores, 1994.

MANSON, Patrick. Tropical diseases. A manual of diseases of warm climates. Londres: Cassels and company, 1900. (e-book).

MENDES, Annibal Corrêa. Glossinas de Angola. Arquivos de Higiene e Patologia Exóticas, Lisboa, v.1, 1905.

MORA, António Damas. Circular da Repartição Superior de Saúde e Higiene aos Srs. Delegados e Subdelegados de saúde da província de Angola. Revista Médica de Angola, Luanda, n.1, 1921.

PEREIRA, Miriam Halpern. A política portuguesa de emigração (1850-1930). Bauru: Edusc/Instituto Cmões,2002.

PINA, Luís. Investigadores portugueses sobre medicina tropical. Anais do Instituto de Medicina Tropical, Lisboa, v.15, 1958.

PINTO, J. da Gama. As perturbações visuais na tripanossomíase. A Medicina Contemporânea, Lisboa, ano 29, jan.1911.

PINTO, Alberto Oliveira. História de Angola. Da pré-história ao início do século XXI. 2.ed. Lisboa: Mercado de letras, 2017.

RELATÓRIO da missão médica à colónia da Guiné. Trabalho de investigação científica realizado em 1932. Lisboa: Ministério das Colónias/ Escola de Medicina Tropical, 1932.

REGULAMENTO do trabalho dos indígenas de 9 de Novembro de 1899. Disponível em . Acesso em: 31 Mar.2018.

SANT’ANA, Firmino. O problema da assistência médico-sanitária ao indígena em África. Revista Médica de Angola. Número consagrado ao Primeiro Congresso de Medicina Tropical da África Ocidental. Lisboa: n.5, ago.1923.

SATRE, Lowell J. Chocolate on trial: slavery, politics, and the ethics of business. Athens: Ohio University Press, 2005.

VARANDA, Jorge. A Diamang e a doença do sono: um caso ímpar no colonialismo português. 94f. Estágio de investigação – Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra, 2000.

VELHO, Luís Baptista da Assunção. A doença do sono como entidade mórbida. Revista Médica de Angola, Luanda, n.2, 1921.




DOI: https://doi.org/10.12957/transversos.2018.35648

Apontamentos

  • Não há apontamentos.


Direitos autorais 2018 Autor concedendo à Revista Transversos o direito de primeira publicação.

ISSN:2179-7528