Tem Angola na umbanda? Os usos da África pela umbanda omolocô

Joana Bahia, Farlen Nogueira

Resumo


O presente trabalho analisa a disputa de narrativas empreendidas em torno da construção do campo religioso umbandista, entre os anos 40 e 50. Avaliamos a partir da trajetória de Tancredo da Silva e a sua defesa da umbanda omolocô, a disputa entre distintos segmentos da religião. Grupos que defendiam uma umbanda mais espírita, portanto mais sincretizada com elementos que a tornassem mais brasileira e outros que buscavam uma maior proximidade com a África e, portanto, com o candomblé. Sendo assim, ao buscar apresentar uma origem no continente africano para a umbanda, Tancredo estaria construindo uma identidade africana para a religião dialogando com a ideia de diáspora africana.


Palavras-chave


Umbanda omolocô; Tancredo da Silva Pinto; Renascimento Negro; Diáspora

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DOI: https://doi.org/10.12957/transversos.2018.29342

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