Diagnose laboratorial das hepatopatias: debate acerca das fronteiras do processo de aprendizagem no ensino médico

Raniery Ávila de Oliveira, Marcelo Paraíso Alves

Resumo


O presente ensaio objetiva discutir o processo de ensino e aprendizagem do diagnóstico laboratorial das doenças hepáticas e seu redimensionamento, tendo por paradigma o pensamento complexo. Nessa perspectiva, a revisão bibliográfica foi realizada nas principais bases de dados, com análise dos trabalhos, cuja temática relacionava-se ao escopo do ensaio. O diagnóstico laboratorial em hepatologia é um processo fluído, que necessita ultrapassar os muros disciplinares impostos pela categorização das especialidades médicas. Outrossim, a complexidade inserida no ato de diagnosticar tem por base uma racionalidade que implica em prudência e atenção, e deve ser desvinculada da aparente relação dicotômica naturalizada pelo paradigma mecanicista. Repensar o modo como se ensina e como se aprende no processo de graduação em medicina é um aspecto prioritário, podendo impactar em mudanças de posturas necessárias à sociedade. Cabe frisar que tal proposição visa não apenas a assimilação do conteúdo, mas o desenvolvimento da competência médica para estabelecer interconexões com os demais campos do saber médico, bem como com os determinantes sociais, políticos, econômicos e culturais, atribuindo novos sentidos ao conhecimento. Assim, espera-se que esse debate acerca do diagnóstico hepático contribua com as discussões curriculares das escolas médicas, no intuito de promover a revisão de ementas, estratégias, metodologias e reflexões sobre o paradigma que subsidia os aspectos mencionados. Nessa lógica, a transversalidade pode estruturar mudanças no campo do conhecimento acerca do diagnóstico laboratorial das doenças hepáticas mais prevalentes, promovendo conhecimento mais pertinente, contextualizado, globalizado, complexo e capaz de refletir a pluralidade de saberes da sociedade contemporânea.


Palavras-chave


Saúde; Educação; Interdisciplinaridade

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DOI: https://doi.org/10.12957/sustinere.2021.55947

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