A pesca artesanal e os agravos à saúde do pescador no município de Curuçá, estado do Pará, Brasil

Laíse Carla Almeida da Conceição, Cyntia Meireles Martins, Janayna Galvão de Araújo, Fabrício Khoury Rebello, Marcos Antônio Souza dos Santos

Resumo


No Brasil, os pescadores artesanais chegam a quase um milhão de pessoas registradas e exercem suas atividades laborais expostos a graves riscos ocupacionais e sem proteção à saúde. Neste artigo, objetivou-se analisar as condições do trabalho e sua relação com a saúde dos pescadores artesanais no município de Curuçá, no estado do Pará. O método para de análise se baseou em questionários dirigidos com perguntas acerca dos dados socioeconômicos dos entrevistados, condição de vida e trabalho, e determinantes associados à vida pessoal, como idade e sexo, além de observações in loco. Como resultados, os pescadores são, na maior parte (68%), de idade mais avançada, com mais de 41 anos, 93% deles não concluíram o ensino fundamental ou não possuem escolaridade. Principal causa disto é a iniciação na pesca artesanal desde muito cedo, 39% alegaram pescar há mais de 31 anos. Concluiu-se que tantos anos de atividade e várias horas de trabalho diárias expõem os pescadores a diversos problemas de saúde (como dores nas costas, problemas de pele, lesões musculares, pressão alta e estresse) e, acidentes de trabalho (ferradas de animais e quedas). São necessárias ações governamentais na área de saúde que apoiem de forma profilática o trabalhador da pesca.

Palavras-chave


Desenvolvimento humano; pesca artesanal; saúde do trabalho; doenças ocupacionais.

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DOI: https://doi.org/10.12957/sustinere.2021.49276

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