Uma voz deste século em busca de um lugar na literatura

Andréa Correa Paraiso Müller

Resumo


O romance O caso Meursault (2016), escrito em francês pelo argelino Kamel Daoud, retoma, como se pode ver dede o título, o clássico O Estrangeiro (1942), de Albert Camus, porém o faz do ponto de vista da vítima. O narrador – o irmão mais novo do árabe assassinado por Meursault, protagonista e narrador de O Estrangeiro – expressa o desejo de reconstituir uma história silenciada e de restituir a voz e a identidade de seu irmão, que não tivera nome no relato de Meursault. Lido por muitos como metáfora da colonização francesa na Argélia, o romance de Daoud vai muito além de uma revisão do passado. Questiona o presente de seu país e põe em foco a própria literatura. Este artigo tem por objetivo realizar uma análise da construção intertextual de O caso Meursault − para a qual nos apoiamos, sobretudo, em propostas teóricas de Gignoux (2016) e Samoyault (2008) – aliada à reflexão sobre as questões pós-coloniais, com base em autores como Clavaron (2012), Achour (2015), Said (1990), entre outros. Procuramos entender o texto de Daoud não simplesmente como um exemplar da produção romanesca de seu país e das questões sociais e políticas envolvidas, mas, principalmente, como expressão da literatura de seu tempo.


Palavras-chave


Intertextualidade; Romance; literatura contemporânea; Kamel Daoud

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DOI: https://doi.org/10.12957/soletras.2018.34030

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SOLETRAS online - ISSN 2316 8838

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