Norma e “desvio” em estruturas com clíticos no Português do Brasil: evolução de ontem, interferências de hoje
Resumo
Este artigo pretende contribuir para analisar a morfossintaxe dos pronomes pessoaisna história da língua portuguesa. Tentar-se-á mostrar, através de um estudo empírico decaráter histórico, como certas estruturas em uso no português oral do Brasil e nas falas dascrianças em fase de aquisição estavam estruturalmente prefiguradas no sistema pronominal doportuguês desde a fase mais remota: a mim, a ele, a nós, a vós, de mim, me a mim, a ele, lhe aele, a nós, a vós. A estrutura V + ele da fala corrente brasileira encontra-se atestada nosprimeiros textos escritos, tendo desaparecido precocemente. Ao contrário do que se possaimaginar, deverá ter tido paralelo na primeira pessoa, a avaliar pela estrutura V + mim,documentada num texto de finais do século XIV. O processo de standardização da línguaescrita foi no sentido de eleger a próclise para todas as pessoas dos pronomes, embora atendência primitiva (de finais do século XIII, princípios do século XIV) tenha sido a ênclise.O facto de a mesóclise aflorar em vários textos de finais do século XIV obriga a colocar ahipótese de a ênclise ter sido altamente estigmatizada e ocultada pela rigidez dos modelossintáticos a que obedecia o texto escrito.
Palavras-chave
Texto completo:
PDFDOI: https://doi.org/10.12957/soletras.2014.12906

SOLETRAS online - ISSN 2316 8838
Revista do Departamento de Letras
Faculdade de Formação de Professores da UERJ
Rua Dr. Francisco Portela, 1470 - Patronato - São Gonçalo - RJ
Cep: 24435-005 - e-mail: soletrasonline@yahoo.com.br