EDUCAÇÃO ESCOLAR COMO DESAFIO AO TEKO GUARANI

Clovis Antonio Brighenti

Resumo


A presente proposta deseja apontar elementos e analisar o contexto da escola para a o povo Guarani, identificando as assimetrias entre a educação escolar e as práticas sócio-culturais do referido povo. Partimos do pressuposto que a escola é o principal instrumento de dominação epistêmica e que sem transformações profundas na sua concepção a vivência do bem viver no seio desse povo fica comprometido. O referido artigo terá como elemento central a análise dos Estados Nacionais e suas práticas de imposição do conceito de Estado Nação como negação das culturas. A Nação Guarani, que há milhares de anos ocupa uma vasta região da bacia platina e litoral atlântico, teve seu território ocupado pelas potencias ibéricas e posteriormente, no século XIX, pelos Estados Nacionais. Além dos contextos de violações culturais, físicas e territoriais, esse povo foi considerado transitório e sobre ele foi imposto o colonialismo epistêmico, de modo que na contemporaneidade as fronteiras nacionais atuam como “Muros de Berlin” levando-os a historicidades diferentes. Desse modo, nossa proposição será de analisar esse contexto a luz dos fundamentos teóricos da decolonialidade e perceber como a escola atua no sentido de negar os conhecimentos próprios do povo e de introduzir conceitos das sociedades ocidentais. Também analisaremos as ações Guarani na difícil tarefa de desconstruir a escola e dar-lhe novo sentido.


Palavras-chave


Escola; Estados Nacionais; Bem viver; Tekoha.

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DOI: https://doi.org/10.12957/riae.2018.38484

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e-ISSN: 2359-6856

 


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