Aproximações entre Geografia e Cinema: estudo do documentário Fuocoammare (2016), de Gianfranco Rosi

Luciana Duarte Baraldi, Mauro Luiz Peron

Resumo


RESUMO: O objetivo deste artigo é apresentar algumas reflexões sobre o documentário Fuocoammare (ROSI, 2016) para identificar correspondências entre Geografia e Cinema. Nela estão presentes vários aspectos que concernem à Geografia, especialmente a questão da imigração e dos refugiados que desembarcam na Ilha de Lampedusa, Itália. Essa produção cinematográfica é também um recorte da vida dos habitantes da ilha, com todas as características – culturais, linguístico-dialetais, socioeconômicas, geográficas – que emergem e envolvem a trama e a narrativa que se constroem. O núcleo narrativo diz respeito diretamente à relação entre os personagens e o espaço onde eles se encontram, pois o espaço é tomado, simultaneamente, como cenário e território, concretamente vivido e ocupado pelas pessoas/personagens. Entretanto, a premissa de que filmes são representações da realidade deve ser posta em discussão. O desafio está em utilizar filmes para desenvolver um olhar geográfico aguçado acerca da obra fílmica, pois se trata de um produto cultural que cria um sistema próprio de significações e realidades; não são meras ilustrações de conceitos geográficos. Como é discutido, nenhum filme é um fazer geográfico teórico; os “conceitos geográficos” são articulados de forma “livre” pelos diretores. Ao colocar em perspectiva o fazer cinematográfico como atividade humana, é necessário destacar a inevitável presença de nuances de subjetividade. Diante do exposto, evidencia-se a potencialidade da reflexão que emerge deste estudo, com o propósito de contribuir para o debate sobre a interseção entre duas áreas de conhecimento postas em diálogo.

Palavras-chave: Geografia. Cinema. Documentário. Espaço como cenário. Espaço como território.

ABSTRACT: L’obiettivo di questo articolo è presentare alcune riflessioni sul documentario Fuocoammare (ROSI, 2016) con lo scopo di identificare le corrispondenze tra Geografia e Cinema. Nel film sono presenti vari aspetti riguardanti la geografia, in particolare la questione dell'immigrazione e dei rifugiati che sbarcano a Lampedusa, Italia. Questo prodotto cinematografico è anche uno sguardo sulla vita degli isolani, con tutte le caratteristiche – culturali, linguistico-dialettali, socioeconomiche, geografiche – che emergono e coinvolgono la trama e la narrazione che si costituiscono. Il nucleo narrativo è direttamente correlato al rapporto tra i personaggi e lo spazio in cui si trovano, poiché lo spazio è preso simultaneamente come scenario e territorio, vissuto concretamente e occupato da persone/personaggi. Tuttavia, la premessa che i film siano rappresentazioni della realtà deve essere messa in discussione. La sfida è quella di utilizzarli per sviluppare un'approfondita visione geografica dell'opera cinematografica in quanto un prodotto culturale che crea il proprio sistema di significati e realtà, e non soltanto illustrazioni di concetti geografici. Come verrà discusso, nessun film è una messa in pratica di una geografica teorica; i “concetti geografici” sono “liberamente” articolati dai registi. Quando si mette in prospettiva la realizzazione del cinema come attività umana, è necessario dare rilievo all'inevitabile presenza di sfumature di soggettività. Alla luce di quanto sopra, si evidenzia la potenzialità della riflessione che emerge da questo studio, con il quale speriamo di contribuire al dibattito sull'intersezione tra due aree di conoscenza messe in dialogo.

Parole chiave: Geografia. Cinema. Documentario. Spazio come scenario. Spazio come territorio.

ABSTRACT: The aim of this paper is to present some reflections on the documentary Fuocoammare (ROSI, 2016) to identify correspondences between Geography and Cinema. There are several aspects concerning Geography, especially the issue of immigration and refugees who land on Lampedusa Island, Italy. This cinematographic production is also a part of the life of the islanders, with all the characteristics – cultural, linguistic-dialectal, socioeconomic, geographical – that emerge and involve the plot and narrative that are being constructed. The narrative nucleus is directly related to the relationship between the characters and the space where they find themselves, because the space is taken simultaneously as scenery and territory, concretely lived and occupied by people/characters. However, the premise that movies are representations of reality must be put into discussion. The challenge is to use films to develop a keen geographical look at the cinematographic work as it is a cultural product that creates its own system of meanings and realities, not merely illustrations of geographical concepts. As will be discussed throughout the article, no film is a theoretical geographical make; “geographical concepts” are “freely” articulated by the directors. When putting cinematographic making as a human activity in perspective, it is necessary to highlight the inevitable presence of subjectivity nuances. Given the above, the potential of the reflection that emerges from this study is evidenced, with the purpose of contributing to the debate on the intersection between two areas of knowledge put into dialogue.

Keywords: Geography. Cinema. Documentary. Space as scenery. Space as territory.


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DOI: https://doi.org/10.12957/italianouerj.2020.58077

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