Primo Levi além da literatura: um intelectual engajado

Aislan Camargo Maciera, Helena Bressan Carminati

Resumo


RESUMO: Pensando em situações que há muito percorrem nosso cotidiano, propõe-se aqui um olhar que, partindo do passado, estende-se ao presente. São temas ainda urgentes e que encontram no escritor italiano Primo Levi (1919-1987), uma voz que ultrapassa a experiência do Lager e que se preocupa com as questões do mundo. Trazendo, então, como pano de fundo a sua produção literária, propõe-se perceber o autor para além de suas narrativas, contos ou poemas, sem deixar, certamente, de considerá-los. A experiência de Auschwitz, que se tornou matéria de sua escrita, foi também aquela que lhe despertou, de modo latente, a observação atenta da vida ao seu redor, a partir do olhar do químico, ofício que primeiro exerceu. Após a publicação de grande parte de seus livros, Levi, já aposentado da indústria química, passa a colaborar mais frequentemente com vários jornais italianos, escrevendo importantes artigos e ensaios sobre os mais diversos assuntos. Desde prefácios a comentários sobre o contexto político italiano da época, ocupando-se dos animais, de cultura e das palavras, passa uma vida percebendo e elaborando o mundo visível e invisível ao seu redor. Desse modo, nas páginas que se seguem, pretende-se trazer a figura do escritor que, embora conhecido por sua literatura, consolidou-se como intelectual engajado, ocupando espaços para estabelecer diálogos possíveis com os contextos contemporâneos. Além disso, apresentar-se-á a tradução inédita de uma entrevista concedida pelo autor em 1985, intitulada Primo Levi: o racismo volta nu e cru.

Palavras-chave: Literatura italiana. Primo Levi. Escritor engajado. Tradução. Racismo.

 

ABSTRACT: Pensando a situazioni che da tempo attraversano la nostra quotidianità, si propone uno sguardo che, partendo dal passato, si estende fino al presente. Sono temi ancora urgenti e che incontrano nello scrittore italiano Primo Levi (1919-1987), una voce che va oltre l'esperienza del Lager e che si occupa delle questioni del mondo. Quindi, presentando la sua produzione letteraria come sfondo, si intende percepire lo scrittore al di là dei suoi romanzi, racconti o poesie, senza lasciare di considerarli. L'esperienza di Auschwitz, che divenne oggetto della sua scrittura, fu anche quella che lo risvegliò, in modo latente, un'attenta osservazione della vita che lo circondava, dallo sguardo del chimico, ufficio che per prima esercitò. Dopo la pubblicazione di buona parte dei suoi libri, Levi, già in pensione dall'industria chimica, inizia a collaborare più frequentemente con diversi quotidiani italiani, scrivendo importanti articoli e saggi sui temi più diversificati. Dalle prefazioni ai commenti sul contesto politico italiano dell'epoca, occupandosi degli animali, della cultura e delle parole, trascorre una vita a percepire ed elaborare il mondo visibile e invisibile che lo circonda. In questo modo, nelle pagine che seguono, si intende riportare una figura dello scrittore che, pur noto per la sua letteratura, si è consolidato come intellettuale impegnato, occupando spazi per stabilire possibili dialoghi con i contesti contemporanei. Verrà inoltre presentata una traduzione inedita di un'intervista rilasciata dall'autore nel 1985, dal titolo Primo Levi: il razzismo torna nudo e crudo.

Parole chiave: Letteratura italiana. Primo Levi. Scrittore impegnato. Traduzione. Razzismo.

 

ABSTRACT: Thinking of situations that have been going on in our daily lives for a long time, we propose in this article a look into them that, starting from the past, extends to the present. These are still urgent topics and in the work of the Italian writer Primo Levi (1919-1987), they find a voice that goes beyond Lager's experience and that is concerned with the issues of the world. Bringing to the discussion his literary production as a backdrop, we propose to perceive the author beyond his narratives, tales or poems, without failing to consider them. Auschwitz's experience, which became the subject of his writing, was also the one that awakened him, in a latent way, an attentive observation of the life around him, from the look of the chemist, a profession he first exercised. After the publication of a large part of his books, Levi, already retired from the chemical industry, starts to collaborate more frequently with several Italian newspapers, writing important articles and essays on the most diverse subjects. From prefaces to comments on the Italian political context at the time, dealing with animals, culture and words, he spent a lifetime perceiving and elaborating the visible and invisible world around you. In this way, in the pages that follow, we intend to bring a figure of the writer who, although known for his literature, consolidated himself as an engaged intellectual, occupying spaces to establish possible dialogues with contemporary contexts. In addition, an unprecedented translation of an interview given by the author in 1985, entitled Primo Levi, will be presented: racism returns naked and raw.

Keywords: Italian literature. Primo Levi. Engaged writer. Translation. Racism.


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DOI: https://doi.org/10.12957/italianouerj.2020.58060

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