O uso de testes de fluência verbal como ferramenta de rastreio cognitivo em idosos

Alina L. G. Teldeschi, Mariangela Perez, Maria Angélica Sanchez, Roberto A. Lourenço

Resumo


Introdução: Instrumentos de avaliação capazes de identificar quadros demenciais são fundamentais na prática clínica e de pesquisa. O teste de fluência verbal é um instrumento de avaliação cognitiva breve que vem mostrando alto potencial. Objetivos: Verificar estudos publicados sobre desempenho de idosos com e sem comprometimento cognitivo em testes de fluência verbal (TFV). Métodos: Revisão narrativa em bases de dados eletrônicas de artigos originais e de revisão que utilizaram o teste de fluência verbal, categoria animais. Resultados e Discussão: Foram descritos estudos que investigaram o desempenho de idosos em TFV nas síndromes demenciais de maior prevalência. Na doença de Alzheimer, o desempenho no TFV está comprometido desde o início do curso da doença, sendo mais expressivo o prejuízo em testes de fluência verbal com critério semântico (TFVCS). Nas demências vasculares, o comprometimento em tarefas que demandam funções executivas, atenção e velocidade de processamento está associado ao pior desempenho em TFV com critério ortográfico. Na demência por corpos de Lewy (DCL), o desempenho nos TFV critério semântico é semelhante aos de indivíduos com DA e ao de indivíduos com doença de Parkinson (DP). Nos testes com critério ortográfico, o desempenho é semelhante ao de indivíduos com DP e inferior ao de indivíduos com DA. Conclusões: Os TFVs são sensíveis à presença de alterações cognitivas em idosos e, portanto, podem contribuir para a identificação de casos de demência em ambientes de escassez de recursos.

Descritores: Demência; Testes neuropsicológicos; Idoso.


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DOI: https://doi.org/10.12957/rhupe.2017.33289