Trinta anos da escala Clinical Dementia Rating: o que sabemos sobre o CDR?

Roberta Borlido Ribeiro Pinto, Mariangela Perez

Resumo


Introdução: Há uma crescente demanda por instrumentos padronizados, tanto para o rastreio quanto para o diagnóstico de demência, em ambientes de assistência e de pesquisa.  A escala Clinical Dementia Rating (CDR) foi desenvolvida há 30 anos, permite uma avaliação global cognitiva e funcional, e foi submetida a adaptações ao longo dos anos. Objetivos: Detalhar o desenvolvimento do CDR, com ênfase na cronologia das principais publicações e nas validações disponíveis no Brasil. Método: Revisão narrativa por meio de busca eletrônica no Pubmed e em referências bibliográficas dos artigos identificados. Foram selecionados 23 artigos. Resultados: O CDR foi desenvolvido por Hughes no Memory Aging Project, da Universidade de Washington, em 1977, e publicado no Bristish Journal of Psychiatry, em 1982. É composto por um questionário estruturado e uma escala que avaliam seis domínios cognitivos: memória, orientação, julgamento e resolução de problemas, assuntos da comunidade, casa e lazer e autocuidado. Os indivíduos são classificados em quatro categorias: 0 = ausência de demência; 0.5 = demência questionável; 1 = demência leve; 2 = demência moderada; e 3 = demência avançada. Em 2008, uma simplificação da pontuação foi proposta e validada, usando a soma de cada domínio, chamada Sum of Box (CDR-SOB). No Brasil, foram identificados dois estudos de validação do CDR e um estudo do uso do CDR-SOB. Conclusões: O CDR é um instrumento útil com alta confiabilidade na avaliação das demências, com duas validações disponíveis no Brasil. As versões mais recentes parecem possibilitar uma melhor avaliação dos estágios iniciais dos quadros demenciais.

Descritores: Clinical Dementia Rating; Validação; Demência.


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DOI: https://doi.org/10.12957/rhupe.2017.33288