Determinantes do envelhecimento bem-sucedido

Ana Cristina Canêdo, Roberto A. Lourenço

Resumo


Introdução: Nas últimas décadas, a expectativa de vida tem aumentado de forma significativa em muitos países. Porém, para que esta transformação demográfica seja sustentável em termos econômicos, sociais e de saúde pública, é preciso que a longevidade ocorra paralelamente à preservação da saúde e funcionalidade. Sendo assim, a promoção do envelhecimento bem-sucedido tem sido tema de interesse crescente tanto no cenário das políticas públicas quanto nos estudos sobre envelhecimento humano. Objetivos: Discutir os fatores determinantes e preditores do envelhecimento bem-sucedido. Métodos: Revisão narrativa com busca de artigos nos bancos PubMed e SciElo utilizando os descritores: “envelhecimento bem-sucedido”, “envelhecimento saudável”, “determinantes do envelhecimento” e “preditores de envelhecimento”. Resultados e Discussão: Do ponto de vista fisiológico, o envelhecimento varia amplamente entre os indivíduos, sendo que algumas pessoas apresentam extensas alterações fisiológicas e outras apresentam poucas ou nenhuma. Parte desta variabilidade pode ser explicada pela heterogeneidade genética, porém estima-se que 25% seja determinado pela genética e 75% por fatores extrínsecos, como fatores ambientais, comportamentais, psicológicos inflamatórios, endócrinos e sociais. As variáveis com maior evidência de associação com envelhecimento bem-sucedido são idade, doenças articulares, audição, atividades de vida diária e tabagismo. Conclusões: A implementação de estratégias efetivas para a promoção do envelhecimento bem-sucedido exige que se desenvolva maior conhecimento sobre os seus fatores determinantes: tanto aqueles relacionados à taxa de declínio, quanto os fatores protetores para a manutenção da vitalidade e resiliência ao estresse.

Descritores: Envelhecimento bem-sucedido; Envelhecimento saudável; Determinantes; Preditores.


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DOI: https://doi.org/10.12957/rhupe.2017.33269