EDITORIAL

 

Adriana Benevides Soares**; Alexandra Cleopatre Tsallis**; Ana Maria Lopez Calvo de Feijoo**; Deise Maria Fernandes Mendes**; Deise Mancebo*; Rita Maria Manso de Barros**;

Universidade do Estado do Rio de Janeiro -UERJ -Rio de Janeiro, RJ, Brasil

Endereo para correspondência

 

 

O volume 13 número 2 da revista Estudos e Pesquisas em Psicologia apresenta nesta edição artigos relativos ao dossiê de Alfabetização, Metalinguagem e Desenvolvimento Sócio-cognitivo além de dez artigos de diferentes abordagens da Psicologia, uma resenha e ainda dois artigos na sessão Clio – Psyqué.

Para marcar o dia Mundial da Alfabetização, comemorado no último dia 8 de setembro, nada melhor do que um dossiê sobre trabalhos apresentados ou derivados do I Seminário de Metalinguagem e Alfabetização realizado em 2011 na UERJ e das pesquisas advindas do grupo de pesquisadores da ANPEPP que compõem o grupo de Desenvolvimento Sócio-cognitivo e da Linguagem. Este encontro que teve como objetivo discutir e apresentar estudos sobre a relação entre habilidades metalinguísticas e o desenvolvimento da leitura e da escrita evidencia toda a importância de estudar e investigar elementos que possam contribuir para melhorar e desenvolver a aprendizagem da leitura.

Vários artigos tratam das habilidades metalinguísticas. No estudo de Jerusa Fumagalli de Salles, Luciane da Rosa Piccolo, Renata de Souza Zamo e Rudineia Toazza, Normas de desempenho em tarefa de leitura de palavras/pseudopalavras isoladas (LPI) para crianças de 1º ano a 6ª série, as autoras propõem regras de avaliação para o desempenho de leitura de palavras para crianças dos anos iniciais do Ensino Fundamental, tendo verificado que as crianças mais velhas e de escolas particulares obtiveram melhor desempenho. No texto de Antonio Roazzi, Maira M. Roazzi, Cláudia Nascimento Guaraldo Justi e Francis Ricardo dos Reis Justi, A relação entre a habilidade de leitura e a consciência fonológica: estudo longitudinal em crianças pré-escolares, os autores investigaram a relação entre a consciência fonológica e a aprendizagem da leitura via fusão da segmentação silábica e fonêmica. Destacam que ambas as tarefas, fonêmica e silábica, foram indicadoras do desempenho no ano escolar seguinte.

No artigo Prática pedagógica e o desenvolvimento da consciência fonológica de Márcia Maria Peruzzi Elia da Mota e Cristiane Santos Lima Camilo foi investigada a relação entre as práticas pedagógicas e o desenvolvimento da consciência fonológica e da nomeação das letras. A pesquisa ressalta que as crianças que tiveram mais tempo com atividades de leitura e consciência fonológica foram as que tiveram maior desenvolvimento na consciência fonológica. Rosane Braga de Melo e Jane Correa, no texto Consciência fonológica e a aprendizagem da leitura e escrita por adultos, examinaram o papel de várias habilidades de consciência fonológica para a aprendizagem inicial da leitura e da escrita por jovens e adultos e mostram que o desempenho inicial de leitura e a habilidade de segmentação foram os melhores indicadores do desenvolvimento da leitura e da escrita. Já no artigo sobre A pós-graduação e o estudo das relações entre habilidades metalinguísticas e linguagem escrita, Ellen Michelle Barbosa de Moura e Fraulein Vidigal de Paula se propuseram a mapear a produção acadêmica brasileira sobre desenvolvimento metalinguístico e linguagem escrita e constataram que a produção anual dobrou. Porém, tal aumento não foi acompanhado pela variedade no tipo de delineamento, faixa etária dos participantes e das habilidades metalinguísticas investigadas.

Dois outros artigos tratam da produção e aprendizagem da leitura. Luciana Ribeiro Pinheiro e Sandra Regina Kirchner Guimarães em A coerência e a coesão nos textos de opinião de alunos do 5º ano de ensino fundamental investigaram, realizando uma intervenção, a produção de textos de opinião como uma atividade que poderia ser otimizada pelas habilidades metacontextuais de coerência e de coesão e verificaram que o tipo de intervenção realizada pode ser utilizado como avaliação permanente da aprendizagem e também das dificuldades dos alunos. O estudo Afetividade na aprendizagem da leitura e da escrita: uma análise a partir da realidade escolar, de Elvira Cristina Martins Tassoni, visou identificar os sentimentos dos alunos do Ensino Fundamental ao se confrontarem com as atividades de leitura e escrita em sala de aula. Os resultados indicaram muitos sentimentos gerados nas atividades de ensino e nas relações com a professora e a família.

Nos artigos de demanda espontânea, temos dois que utilizam a teoria das representações sociais, dois são estudos de revisão bibliográfica, quatro são estudos qualitativos, um estudo empírico e um último que adota a perspectiva histórica.

O artigo Do novo ao tradicional: a representação da psicologia no judiciário, de Verônica Cecilia Alves da Silva Mafra e Maria de Fátima de Souza Santos, investigou as representações sociais de psicólogos que trabalham no Poder Judiciário e averigou que a psicologia jurídica faz parte do escopo de aplicação dos conhecimentos psicológicos e de atuação profissional destes participantes, assim como também se constitui dos aspectos legais. Luciene Alves Miguez Naiff, Denis Giovani Monteiro Naiff e Alcina Maria Testa Braz, em Representações sociais de professores sobre a qualidade de vida dos seus alunos, tiveram como objetivo analisar as representações sociais de professores de escolas municipais. Identificaram que os professores percebem seus alunos como carentes de itens básicos e atribuem à escola um importante papel na mudança desta situação.

No texto A família como um dos fatores de risco e de proteção nas situações de gestação e maternidade na adolescência, de Naiana Dapieve Patias, Marília Reginato Gabriel e Ana Cristina Garcia Dias, buscou, em uma revisão bibliográfica, identificar como o contexto familiar pode ser considerado como fator de risco ou de proteção para gestantes e mães adolescentes. Em Mulher e dor: um estudo na perspectiva da psicodinâmica do trabalho, Rubia Minuzzi Tschiedel e Elisete Soares Traesel, também em um estudo bibliográfico, discutem o trabalho feminino levando em conta a dor e a somatização como categorias do sofrimento.

Fábio Santos Bispo e Marcelo Fonseca Gomes de Souza, em O discurso psicanalítico entre outros: considerações sobre Radiofonia, explicam os argumentos propostos por Lacan no texto Radiofonia e mostram queo autor oferece um instrumento esclarecedor sobre o modo de operação do discurso psicanalítico. Em As Cores de Pastore: Grafite Arte Vida, Reflexões fenomenológicas sobre o grafite e a arte de viver, Maíra Mendes Clini busca compreender a vida e a obra de um grafiteiro-poeta utilizando o método fenomenológico. Daniela Torres de Andrade Lemos e José Francisco Miguel Henriques Bairrão, em Doença e morte na umbanda branca: a legião branca mestre Jesus, apresentam criticamente as concepções de doença e morte identificadas em um centro de cura espiritual instrumentalizados pelo método etnográfico. O artigo Características das situações estressantes em gestores universitários no contexto do trabalho, de Fernanda Ax Wilhelm e José Carlos Zanelli, analisa, utilizando entrevistas, situações estressantes experienciadas por gestores de universidades públicas e verifica ser o estresse uma condição inevitável a situações próprias desse tipo de trabalho.

O estudo empírico Sofrimento psíquico e trabalho docente – implicações na detecção de problemas de comportamento em alunos, de Gabriela Franco Dias Lyra, Simone Gonçalves de Assis, Kathie Njaine e Thiago de Oliveira Pires, investiga a opinião de professores do Ensino Fundamental e evidencia que o fato de encontrarem-se com ou sem sofrimento psíquico altera a forma de avaliar e lidar com os problemas de comportamento dos alunos.

Flávia Cristina Silveira Lemos, Cristiane de Souza Santos, Diana da Silva Nobre e Francidalva Costa Paulo, em O UNICEF e a gestão das famílias: uma análise a partir das ferramentas legadas por Michel Foucault, tiveram como objetivo, utilizando uma perpectiva histórica, questionar as práticas do Fundo das Nações Unidas.

Na resenha História da Psicologia: (re)pensando objetos, métodos e discurso, Rodrigo Lopes Miranda faz uma análise crítica do livro organizado por Saulo de Freitas Araújo "História e filosofia da psicologia: perspectivas contemporâneas".

Por fim, na seção Clio, o artigo La producción escrita del Departamento de Psicología en la Universidad de Puerto Rico entre 1924-1943: estudio preliminar, de Sofía González-Rivera, descreve os resultados iniciais de uma pesquisa histórica sobre a psicologia praticada no início do século XX no primeiro Departamento de Psicologia em Porto Rico. O estudo de Fernando José Ferrari intitulado Virgilio Ducceschi y el primer laboratorio de psicología experimental en Córdoba, Argentina (1907) apresenta os principais trabalhos de Virgilio Ducceschi pioneiro da psicología experimental latino-americana.

Para terminar, gostaríamos de anunciar a reabertura da Revista em formato eletrônico para a recepção e tramitação de artigos e a adoção das normas no padrão internacional da American Psychological Association.

 

 

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Notas

* Professora Titular do Instituto de Psicologia da Universidade do Estado do Rio de Janeiro – UERJ, Rio de Janeiro, RJ, Brasil.
** Professora Adjunta do Instituto de Psicologia da Universidade do Estado do Rio de Janeiro – UERJ, Rio de Janeiro, RJ, Brasil.



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