EDITORIAL

 

Adriana Benevides Soares*; Alexandra Cleopatre Tsallis*; Ana Maria Lopez Calvo de Feijoo*; Deise Mancebo**; Deise Maria Leal Fernandes Mendes*; Eleonôra Torres Prestrelo***; Rita Maria Manso de Barros*

Universidade do Estado do Rio de Janeiro – UERJ, Rio de Janeiro, RJ, Brasil

Endereo para correspondncia

 

 

Neste número apresentamos aos leitores uma edição composta de duas sessões: dossiê Habilidades Sociais do qual fazem parte artigos, resenhas e entrevistas e a sessão de artigos de demanda espontânea e comunicações de pesquisa. Na sessão dossiê Habilidades Sociais vemos o início da consolidação da área que se vê representada em sete pesquisas nacionais e internacionais, duas resenhas e uma entrevista com professores eminentes da área.

O campo das habilidades sociais se insere na dinâmica das relações interpessoais em que comportamentos são emitidos e suas consequências são o tempo todo avaliadas. São eficazes e profícuos quando atingem seus objetivos e mantém ou promovem as relações sociais (DEL PRETTE; DEL PRETTE, 2009). A atuação deste campo da Psicologia se dá tanto de forma preventiva, promovendo comportamentos mais adequados quanto de forma  remediativa para os repertórios comportamentais considerados deficitários (DEL PRETTE; DEL PRETTE, 2009). Muitas áreas teórico-práticas têm usufruído de pesquisas em habilidades sociais para conhecer o seu próprio campo.

No que concerne aos artigos de demanda espontânea oito trabalhos são apresentados: quatro sobre relações no trabalho, três estudos teóricos sobre o corpo e o psiquismo e ainda um estudo sobre a interpretação das canções de Chico Buarque de Holanda.

O artigo de Ana Paula Lobão Prange “Quem dá mais cobra mais: Uma análise das normas antecedentes do ofício de motorista de ônibus em um contexto específico” busca entender o espaço existente entre as normas estabelecidas e aquilo que, de fato, acontece no âmbito do trabalho dos motoristas de ônibus de uma empresa de transporte urbano do município de Rio de Janeiro. A autora verifica que, dada a natureza privada do transporte urbano, constrangimentos acontecem e são aceitos como pertencentes a regras anteriores. Ana Paula Carlucci, Silviane Bonaccorsi Barbato e Olgamir Francisco de Carvalho em “A construção da identidade profissional na adultez em emergência: narrativas de uma jovem sobre o ser estudante e trabalhadora” analisam, a partir de um estudo de caso e utilizando entrevistas, as concepções sobre ser jovem, estudante e trabalhador. Os resultados mostram que o processo de desenvolvimento se estabelece nas relações dialéticas interpessoais e intrapessoais, nos significados sociais compartilhados e naqueles produzidos sobre si-próprio. As autoras concluem que o processo de desenvolvimento de si-mesmo pode ser compreendido como um conjunto de diferentes posições estabelecidas entre a escola e o mundo do trabalho.

Aline Melo Oliveira Sampaio, Fernanda Nunes Rodrigues, Valquiria Gonçalves Pereira, Suely Maria Rodrigues e Carlos Alberto Dias em   “ Cuidadores de idosos: percepção sobre o envelhecimento e sua influência sobre o ato de cuidar” procuraram conhecer a percepção de cuidadores de idosos sobre o envelhecimento e sua influência sobre o ato de cuidar baseando-se em sua prática profissional e na autoavaliação dos entrevistados. Concluiram que o despreparo, a desqualificação, a atenção, o suporte emocional e social, influenciam a concepção do cuidador e do ato de cuidar. Fernanda Soraggi e Tatiane Paschoal em seu artigo “Relação entre bem-estar no trabalho, valores pessoais e oportunidades de alcance de valores pessoais no trabalho” apresentam resultados de correlações e de regressões que indicam que os valores pessoais dos trabalhadores não são preditores diretos do bem-estar no trabalho,mas que oportunidades de interesses individuais o são.

Cynara Teixeira Ribeiro em seu trabalho intitulado “Usuário ou toxicômano? Um estudo psicanalítico sobre duas formas possíveis de relação com as drogas na contemporaneidade” aborda o fenômeno do uso de drogas segundo a perspectiva psicanalítica, utilizando-se da análise das entrevistas de dois sujeitos que descrevem suas experiências como usuários de drogas.  Identificam a importância dos conceitos de gozo, narcisismo, identificação e laço social na configuração das modalidade de consumo de drogas. Eloisa Nogueira Aguiar em ”Vida como drama: repensando o papel do cliente em psicoterapia” discute o papel do cliente em psicoterapia a partir do pensamento de José Ortega y Gasset. Aliny Lamoglia de Carvalho em seu artigo “Autismo: a discussão de um paradoxo?” apresenta e discute algumas idéias e paradigmas sobre o autismo infantil. São descritas contribuições de autores contemporâneos que sustentam a discussão.

Em “A alteridade em canções de Chico Buarque de Hollanda: uma leitura desconstrucionista” José Célio Freire e Renata Ramalho de Queiroz analisam as possibilidades de compreender textos de músicas de Chico Buarque de Hollanda buscando ir além da intencionalidade do autor, buscando sua alteridade e a produção de subjetividade.

Na seção Clio apresentamos o artigo O processo diagnóstico das psicopatas do Hospital Nacional de Alienados: entre a fisiologia e os maus costumes (1903-1930) de Cristiana Facchinetti e Priscila Céspede Cupello da Fundação Oswaldo Cruz.

Temos ainda, e para finalizar esta edição, uma comunicação de pesquisa em que Eliane Gerk, José Augusto Rento Cardoso e Luiza Martins Krafft, em “Ajustamento de alunos ingressantes ao ensino superior: o papel do comportamento exploratório vocacional”, apresentam um estudo que compara estudantes de Psicologia aos de Direito e Engenharia. Os estudantes apresentam comportamentos semelhantes entre eles independentemente do curso.  Os autores concluem que a sociedade contemporânea não incentiva a busca pelo autoconhecimento e que os estudantes têm seus interesses voltados mais para a exploração do ambiente visando a uma melhor adaptação ao meio em detrimento da exploração de si.

Para terminar gostaríamos de apresentar dois novos membros do corpo editorial da Revista: as professoras Deise Maria Leal Fernandes Mendes e Alexandra Cleopatre Tsallis que vêm somar suas experiências e conhecimentos ao grupo da revista. Sejam muito bem-vindas!

Boa leitura a todos!

 

Referências

DEL PRETTE, Z. A. P.; DEL PRETTE, A. Avaliação de habilidades sociais: bases conceituais, instrumentos e procedimentos. In:  DEL PRETTE, Z.A.P.; DEL PRETTE, A. (Orgs) Psicologia das Habilidades Sociais: diversidade teórica e suas implicações, Petrópolis: Editora Vozes, 2009.

 

 

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Notas

*Professora Adjunta do Instituto de Psicologia da Universidade Estadual do Rio de Janeiro – UERJ, Rio de Janeiro, RJ, Brasil
**Professora Titular do Instituto de Psicologia da Universidade Estadual do Rio de Janeiro – UERJ, Rio de Janeiro, RJ, Brasil
***Professora Assistente do Instituto de Psicologia da Universidade Estadual do Rio de Janeiro– UERJ, Rio de Janeiro, RJ, Brasil



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