ARTIGOS

 

Algumas reflexões sobre a pesquisa qualitativa nas ciências sociais

 

Some reflections on qualitative research in the social sciences

 

 

Jacir Alfonso Zanatta*; Márcio Luis Costa**

Universidade Católica de Dom Bosco, Campo Grande, Mato Grosso do Sul, Brasil

Endereo para correspondncia

 

 


RESUMO

O presente artigo é uma reflexão sobre os caminhos percorridos no desenvolvimento de uma pesquisa. Buscou-se valorizar as questões éticas, onto-metodológicas e as práticas discursivas em comunicação, fazendo uma interrelação com o método qualitativo e a construção do conhecimento científico. Observa-se que numa cultura ética em pesquisa, o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE) surge como fruto maduro. No pretenso conflito entre abordagens, seja qualitativa ou quantitativa, a questão fundamental está nas condições onto-metodológicas postas pelo problema da pesquisa, a saber: práticas, empíricas e técnicas. Valoriza-se também as práticas discursivas, ligadas à comunicação, que contribuem para amarrar as questões ontológicas e metodológicas e surgem como uma possibilidade de superação da dicotomia quantitativo versus qualitativo na pesquisa em Ciências Sociais.

Palavras-chave: Pesquisa, Ética, Método.


ABSTRACT

This paper is a reflection on the various paths taken during the development of a specific research. This research sought to take into account ethical issues involved, Onto-Methodology procedures and discursive practices in communication, through making an inter-relation with qualitative methods and established scientific knowledge. It was observed that during the research on the culture of ethics, the Freely Informed Consent procedure emerged as a well used and accepted practice. In the assumed conflict between the various approaches, whether qualitative or quantitative, the fundamental issue is in the Onto-methodical conditions used to solve the research problem, namely, empirical and technical practices. Discursive practices were also beneficial when linked to communications which helped to solve the ontological questions and methodologies. This resulted in the emergence of a possibility of overcoming the quantitative versus qualitative dichotomies in the research of Social Sciences.

Keywords: Research, Ethic, Method.


 

 

1 Introdução

"O homem comum, diante da instabilidade da vida, vale-se de sua capacidade de imaginar outra história e, por isso, sonha, fabula, cria metáforas em lugar de descrever, com rigor e precisão, os fenômenos conhecidos" (MEDINA, 2003, p. 58).

A importância de um texto pode ser medida pelos vários pretextos que ele cria nos leitores. Depois de alguns dias "ruminando" o material selecionado para este artigo, começam a surgir algumas possibilidades e, os pretextos para o novo texto, vêm à tona por meio de um estilo um tanto "zombeteiro". Este artigo foi produzido de forma mais solta estilisticamente falando, mas teve como objetivo central, fazer algumas pontes com o dia-a-dia. A escolha do material para esta reflexão levou em consideração algumas dificuldades percebidas pelos autores nas avaliações dos projetos de pesquisa qualitativa apresentadas ao Comitê de Ética na Pesquisa (CEP) do qual os mesmos fazem parte. Com isso, o material ora apresentado busca fazer uma ponte e trazer algumas reflexões sobre a importância da preocupação ética na pesquisa qualitativa. Sabemos que existe uma bibliografia variada sobre o assunto, mas o recorte escolhido buscou privilegiar algumas questões pontuais como ética na pesquisa, método, compromisso ontológico dos pesquisadores e o valor das práticas discursivas em pesquisa que envolvem seres humanos.

Como o caminho mais difícil algumas vezes é o mais prazeroso, optamos pelo prazer na hora de escrever. Se a iniciativa não agradar ou não responder às expectativas dos leitores, esperamos que nos perdoem. Nossa intenção foi a melhor possível: ver a interdisciplinaridade na hora de estudar um tema. É importante que se diga ainda, que depois de conseguirmos o material, o final de semana foi utilizado para fazer uma primeira leitura, mas aos poucos um material interessante foi se revelando e os textos, diferentes entre si, foram se complementando. Com isso, é possível perceber que toda pesquisa qualitativa precisa trazer no seu bojo, uma preocupação ética. Mas não é apenas isso, a realidade mostra que ética e pesquisa, bem como os resultados a que o pesquisador irá chegar fazem parte de uma preocupação maior que envolve o ser humano e seus discursos. Desta forma, entendemos que é necessário fazer esta aproximação e contribuir, mesmo que de forma simples para uma reflexão que valorize a ética no dia-a-dia do pesquisador.

O primeiro material lido valoriza mais as questões éticas e legais na hora da pesquisa. O segundo veio ajudar a refletir sobre o método qualitativo e suas relações com a aquisição de conhecimento. Já o terceiro material era mais prático e mostrava como a entrevista pode ser vista como uma prática discursiva. Um verdadeiro deleite. Cada material escolhido para este artigo acabou nos levando a novos horizontes, que por sua vez nos indicavam novos caminhos. Fomos seguindo e fazendo, por algumas semanas, várias leituras. Mas, chegou o momento de organizar as ideias e produzir o material.

Se permitirem uma analogia é possível dizer que neste período éramos dois meninos arteiros tentando desmanchar uma blusa de lã. Estávamos com uma ponta entre as mãos, e, na tentativa de ver a outra, quanto mais puxávamos, percebíamos que a blusa se desmanchava, a lã em nossas mãos aumentava, mas a outra ponta nunca chegava ao fim. Esta pequena analogia serve como um alerta de leitura. Até porque, não temos certeza se conseguimos chegar onde queríamos ou deveríamos ter chegado. Corremos o risco de termos nos enrolado todos nos fios que foram se soltando e quem sabe ficamos no mesmo lugar, gastando tempo e energia. Mas este é um risco que vale a pena e você, amigo(a) leitor(a), está convidado(a) a desenrolar estes pequenos fios de conhecimento junto conosco.

 

2 Preocupações éticas  

A primeira preocupação no desenvolvimento de uma pesquisa deve ser ética e por este motivo, o material a seguir é uma reflexão que leva em consideração os seguintes textos: "Em busca da autonomia: o uso do termo de consentimento em pesquisa" de Teixeira e Nunes (2008) e "Compromisso ontológico na pesquisa qualitativa" de Rey (2005), além é claro de vários outros que estão nas referências. Sabemos que existem outros textos que podem trabalhar a ética de forma mais aprofundada, mas escolhemos estes dois textos por mostrarem uma preocupação com o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE) – calcanhar de Aquiles para muitos pesquisadores/estudantes de pós-graduação que não mostram claramente em seus projetos os possíveis riscos e benefícios que as pesquisas podem trazer aos sujeitos pesquisados.

Depois de refletir um pouco sobre o conteúdo dos dois primeiros textos, é importante dizer que os materiais estão intimamente ligados. Abordam a relação do pesquisador com o sujeito ou sujeitos da pesquisa valorizando e mostrando a importância de um bom TCLE. Muito embora estejamos falando de TCLE, queremos advertir que temos uma preocupação com algo de fundo que julgamos de maior importância, ainda que não possa ser tratada neste momento, que é a questão da cultura ética na pesquisa em Ciências Sociais, da qual o TCLE deve ser uma expressão madura.

Nossa compreensão busca mostrar que o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido adquire maior sentido na medida em que exista uma cultura ética em pesquisa. Ele não deveria ser mais que isso, uma expressão documental madura de uma cultura ética em pesquisa. O TCLE não é para o pesquisador, ele é desenvolvido para o participante. Desta forma, o que põe limite ao pesquisador na hora de desenvolver sua pesquisa é a cultura ética que ele possui. Mas é preciso lembrar que a ética, ao mesmo tempo em que coloca limites, também pode potencializar a pesquisa.

Mesmo já tendo lido bastante sobre o termo de consentimento na pesquisa, o material em questão é esclarecedor e aponta para algumas preocupações que normalmente não são abordadas pelos pesquisadores. O texto mostra que a avaliação ética é parte essencial da investigação e de toda pesquisa. Sem sombra de dúvida, a preocupação ética deve permear o processo e o fazer ciência. Trata-se de uma preocupação salutar quando se leva em conta o ser humano que não deve ser visto apenas como instrumento para obtenção de resultados.

Exemplos de pesquisadores, que ao longo da história deixaram de lado a ética em nome da evolução da ciência não faltam. Percebe-se então, que deve existir sempre um compromisso com a integridade de todos os envolvidos no processo. Isso mostra apenas que o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE), além de um contrato com custos e benefícios, é uma forma legal e ética de conduzir as relações entre pesquisador e sujeito. Ele tem por objetivo fazer com que os participantes das pesquisas compreendam os procedimentos, riscos, desconfortos, benefícios e direitos de todos os envolvidos.

De acordo com Teixeira e Nunes (2008) é importante que se diga que para realizar pesquisas com seres humanos é sempre muito importante se obter o consentimento livre e esclarecido. Ele serve para proteger os participantes dos possíveis abusos e é condição indispensável da pesquisa, sendo uma expressão da atitude eticamente correta. O TCLE é hoje, uma exigência dos Comitês de Ética em Pesquisa (CEP) de todo o Brasil.

Ele serve para que os sujeitos, participantes das pesquisas, possam assentir de forma ativa em participar e não sejam mais vistos com uma atitude submissa perante o pesquisador. Mas, o que mais chama a atenção neste material e que todos os professores que trabalharam em Métodos Qualitativos de Pesquisa em Psicologia são unânimes em defender é o fato do que uma pesquisa deve trazer benefícios para seus participantes. Esta deve ser uma preocupação, sendo que muitas vezes é deixada de lado pelos pesquisadores que pensam apenas em coletar dados e produzir sobre estes dados, sem dar uma devolutiva àqueles seres humanos que contribuíram para que a pesquisa pudesse ser feita.

Teixeira e Nunes (2008) defendem de forma enfática que a pesquisa só se justifica se houver benefícios e se os riscos para cada sujeito não ultrapassarem os benefícios. O material também conseguiu mostrar de forma simples que o TCLE é um instrumento que resguarda os pesquisadores e os sujeitos envolvidos nas pesquisas. E, para finalizar esta pequena reflexão sobre as preocupações éticas da pesquisa, é importante ressaltar que, muitas vezes, no afã de iniciar a pesquisa, os alunos de mestrado e doutorado, por desconhecimento acabam atropelando as normas vigentes e comprometendo toda a coleta de dados. Este texto, além de esclarecedor, serviu para mostrar que uma pesquisa só deve ser iniciada após a aprovação de um Comitê de Ética na Pesquisa. Algo simples que não deve ser esquecido por aqueles que estão se inserindo no universo da pesquisa.

 

3 Pensando o método

Um bom texto é aquele que faz com que o leitor fique "ruminando" por vários dias. E, sem dúvida, "O compromisso Ontológico na Pesquisa Qualitativa" tem esse poder. Um material que nos conduz por novos caminhos. Depois da leitura, surgem muitas indagações e questionamentos. Mas, o que se observa da sociedade contemporânea é que todos querem respostas sem, no entanto, se preocuparem com a qualidade das perguntas. Por isso, levantar dúvidas, mais do que dar respostas é sinal de sabedoria.

Aprender é não se contentar com o que se recebe, mas também é preciso que o material recebido nos conduza a outras veredas. E, o texto de Fernando González Rey tem a capacidade de tirar o leitor do comodismo em que ele se encontra. Mais do que sair de uma posição cômoda, Rey (2005) mostra a importância do compromisso que todo pesquisador deve ter com o método e com os sujeitos na pesquisa qualitativa.

Como defende Rey (2005), a produção do conhecimento é, no fundo, uma forma de produção humana. Ao pensar sobre o significado desta frase, fomos obrigados a arriscar e encontrar rotas alternativas. Estes caminhos, muitas vezes tortuosos, nos permitem pensar o método e a pesquisa qualitativa usando o texto de Fernando González Rey como ponto de partida e não como chegada.

O primeiro desvio salutar feito por estes dois caminhantes não apresenta muitos riscos. Por isso, o percurso mais curto que serve como ponto de referência para quem quer se aventurar por esta viagem é encontrar as definições que respondam às dúvidas do que vem a ser método. Só a partir disso é possível avançar um pouco mais e perceber como se pesquisa por meio do método qualitativo.

Michaelis (1998, p. 1368), define método como sendo o "conjunto dos meios dispostos convenientemente para alcançar um fim e especialmente para chegar a um conhecimento científico ou comunicá-lo aos outros". Nota-se, neste caso, que esta definição reforça o percurso utilizado até aqui para explicar o significado da palavra. Assim, é possível dizer que quem procede de acordo com um conjunto de regras na busca de uma meta, procede dentro de um método.

Mas, é preciso avançar um pouco mais nesta forma de pensar, e ressaltar que pensar no significado do que vem a ser método é para quem está começando a desenvolver pesquisa, acreditar que ele tem meramente a função de engessar o trabalho, de torná-lo chato, ou mesmo de tirar a leveza do texto. No entanto, é importante observar que essa concepção é uma forma errônea de se pensar o método. É importante observar que o método, junto com os objetivos, serve para dar rumo ao trabalho que está sendo desenvolvido.

Mais do que ajudar a clarear as ideias, o método serve como uma bússola a indicar o caminho que temos que percorrer. Esta concepção de que o método é o caminho é bem aceita na academia e por todos aqueles que desenvolvem pesquisa. Marques (2006) compactua dessa ideia, mas defende que não existe um único método, uma vez que ele varia conforme o assunto e a finalidade. Porém, é bom esclarecer que a escolha do método é muito importante no desenvolvimento de um trabalho, uma vez que o pesquisador, se não tiver cuidado, pode utilizar métodos não recomendados para chegar aos objetivos a que se propõe.

Ao tratar as questões ligadas ao método, Turato (2003, p. 149) defende que a palavra é derivada do latim (methodus) e do grego (Methodos) e complementa, argumentando que método, no seu sentido etimológico, é "um caminho através do qual se procura chegar a algo ou um modo de fazer algo". É importante observar aqui, que Turato vai um pouco além das concepções vigentes sobre o termo. Para ele, não é apenas o caminho que se vai percorrer, mas a forma com a qual se pretende fazer o percurso, que define o método. Perceber o método como caminho ou percurso, permite chamar a atenção do leitor para o sentido que tem o próprio caminhar e que pesquisa não é só o resultado no final do caminho. Por isso, se faz necessário desfrutar o caminho e não padecer no caminho com a mera esperança de um consolo epistemológico chamado resultado.

Depois de explicar o que vem a ser método, está na hora de entender os procedimentos utilizados nas pesquisas qualitativas. Só assim, poderemos perceber com mais clareza o compromisso ontológico que o texto propõe. Flick (2004) argumenta que a pesquisa qualitativa evita números, lida com interpretações da realidade social, bem diferente da quantitativa que prioriza números e modelos estatísticos.

Na mesma linha utilizada por Flick (2004) está Marques (2006) ao defender que a abordagem qualitativa é aquela em que os dados não são passíveis de ser mensurados matematicamente. Por isso, compreender a realidade por meio de uma abordagem qualitativa é percebê-la a partir da subjetividade dos sujeitos-participantes da investigação. Ainda, sobre os métodos qualitativos, Turato (2003) acredita que esta abordagem trabalha dentro de um campo complexo de paradigmas, exatamente, por valorizar a subjetividade do indivíduo pesquisado.

Turato (2003) argumenta ainda que a história dos métodos qualitativos é recente. Tem pouco mais de meio século e se mistura com as ciências do homem e, principalmente, com os trabalhos desenvolvidos pela Antropologia e pela Psicologia e, que surgem em contraponto às já estruturadas ciências da natureza. O método qualitativo observa exatamente estas mudanças internas que ocorrem nos sujeitos-participantes da pesquisa. Para complementar esta análise, também recorremos a Lüdke e André (1986) quando defendem que a pesquisa qualitativa tem o ambiente natural como sua fonte direta dos dados e o pesquisador é visto como principal instrumento.

Ainda, de acordo com Lüdke e André (1986), a pesquisa qualitativa supõe contato direto do pesquisador com os sujeitos da pesquisa e com a situação na qual a pesquisa está sendo desenvolvida. Por isso, ao se trabalhar com o método qualitativo, é importante estar atento às circunstâncias em que os objetos da pesquisa se inserem, uma vez que os dados coletados são predominantemente descritivos. Percebe-se, então, que o material da pesquisa qualitativa é rico na descrição das pessoas, situações e acontecimentos.

Pelo exposto, é possível afirmarmos que o pesquisador precisa estar atento ao maior número possível de elementos e, desta forma, um aspecto supostamente trivial pode ser essencial para a melhor compreensão do problema que está sendo estudado. Percebe-se então, que os estudos que utilizam como base o método qualitativo são os que se desenvolvem numa situação natural rica em dados descritivos e que conseguem compreender a realidade de forma complexa, contextualizada e não meramente, como um processo natural e matemático. Lembre-se que todo dado, ainda que quantitativo, se aparece em pesquisa com humanos, tem significado e sentido, faz morada na linguagem e é passível de análise de corte hermenêutico.

 

4 Compromisso ontológico

Brincar de pensar pode ter algumas consequências sérias. Quem brinca pode não querer parar. E, nesse processo, o texto foi sendo construído ou "alinhavado" como algo prazeroso e por que não reconhecer como divertido, pelo menos para nós que estamos escrevendo. Mas o texto "Compromisso Ontológico na Pesquisa Qualitativa" de Gonzáles Rey (2005) exige um pouco mais de atenção para não corrermos o risco de ficar andando em círculos.

Rey (2005) busca romper com o modelo positivista de pesquisa e acabar definitivamente com a dicotomia entre empírico e teórico, onde este é utilizado apenas como rótulo. Mas não é fácil deixar de lado séculos de história construída por pesquisadores que entendem a pesquisa como mero procedimento estatístico que não requer produção de conceitos e de novas ideias. O autor defende que sem uma revisão epistemológica o processo de produção do conhecimento será legitimado pela posição instrumentalista do modelo quantitativo.

Observe que, ao pensar a partir de um compromisso ontológico, conforme constrói Martin Heidegger (1988), o próprio texto toma novos ares e sua leveza dá lugar à dureza dos conceitos. Percebe-se que nesta suposta briga quantitativo versus qualitativo todos perdem. Falta aqui, o processo dialógico, tal como concebe Martin Buber (2001), do conhecimento construído como processo de autopercepção e não como algo adquirido de fora, sem interação com o sujeito e com sua subjetividade. Sem aprofundar muito, podemos afirmar que a comunicação (pretendemos aprofundar o tema mais adiante, no tópico aproximações necessárias) é um problema não das pesquisas, mas dos pesquisadores.

É importante trazer à esta reflexão a contribuição de Günther (2006) quando recorda que a questão fundamental não são as abordagens, mas o problema da pesquisa. Günther lembrar que

Enquanto participante do processo de construção de conhecimento, idealmente, o pesquisador não deveria escolher entre um método ou outro, mas utilizar as várias abordagens, qualitativas e quantitativas que se adéquam à sua questão de pesquisa (GÜNTHER, 2006, p. 207).

O autor defende que existem várias razões que podem levar um pesquisador a escolher uma abordagem ou outra, o que não significa que uma seja melhor que a outra. Günther (2006, p. 207) defende que a escolha por um método pode variar conforme as condições de "natureza prática, empírica e técnica".

Parece-nos, e aqui é apenas uma percepção sem base científica, que nas discussões metodológicas ninguém pretende ceder com facilidade e, muitas vezes, as pesquisas não avançam e nem contribuem tanto para a sociedade porque os pesquisadores não conseguem superar esta fragmentação na forma de pensar. Os produtores do conhecimento (pesquisadores) esquecem como bem ressalta Rey (2005), que a subjetividade é parte integrante do ser humano e que pode contribuir, junto com o processo comunicativo para a superação deste modelo que isola e separa. Só assim, quem sabe, será possível perceber em cada modelo o humano que produz as metodologias e não as metodologias que enquadram os humanos. Esta pode ser uma contribuição da comunicação que busca constantemente afastar tudo o que isola.

Se nos permitem uma analogia, podemos dizer que a ciência é, em vários momentos, um boi dividido em partes que deve ser consumido de forma separada. Defendemos, no entanto, que a comunicação pode ajudar a romper a visão da ciência como sendo um boi dividido em partes, anunciadas nos açougues e compradas pelos consumidores – cientistas – que se satisfazem cada qual com seu pedaço. Ao ver apenas o pedaço da carne que vamos comer, deixamos de perceber a beleza do animal vivo que não se caracteriza como partes, mas como um todo. Nós, humanos, construtores da ciência, fazemos a divisão sem percebermos que por ela também somos divididos.

Concordamos que Ontologia é, em sua definição simplista, o estudo do ser. Mas por não termos definido corretamente este ser, acabamos exagerando e saímos do compromisso ontológico proposto pelo texto para um compromisso bovino. Fizemos esta viagem para mostrar apenas que a subjetividade é o que caracteriza a atividade humana. E, com isso, concordar com Rey (2005, p. 22) quando defende que "o sentido subjetivo está na base da subversão de qualquer ordem que se queira impor ao sujeito ou à sociedade desde fora". Percebe-se então, que a subjetividade faz parte do contexto individual e social de cada um de nós.

Note que o conhecimento que se produz também se reproduz. E, este processo de reprodução, que aqui não significa cópia, é uma forma de romper com uma visão linear da realidade e tentar criar novas possibilidades e interpretações dos caminhos percorridos pela ciência. Se, por algumas vezes nos perdemos no caminho, nos perdoem, mas a forma singular como este texto vem sendo produzido, é um bom exemplo do modelo qualitativo como instância de produção do conhecimento científico. Conhecimento este que constantemente toma novos rumos em seu curso de construção e desconstrução, sem desrespeitar o referencial teórico.

 

5 Prática discursiva

Esperamos que o texto não esteja fragmentado e solto. Confessamos que seguir uma mesma linha de raciocínio do começo ao fim buscando unir os textos em questão não é tão fácil como parecia no início. Por outro lado, se levarmos em consideração que, de acordo com Pinheiro (2004), é preciso buscar no discurso, o processo, o movimento e o sentido, acreditamos então, que este material tem vários movimentos e, com certeza, muitos sentidos. Faz-se necessário perceber que por meio do discurso se constrói a realidade e se dá sentido ao mundo que nos cerca.

Mas precisamos fazer um alerta. O discurso por si só, pode criar um diálogo de surdos. É preciso avançar no discurso para se chegar ao diálogo. Só por meio de um modelo dialógico é possível perceber com melhor clareza a posição dos interlocutores. O discurso, mesmo acalorado, pode ser frio. O diálogo, quando gera a comunicação, permite a comum união de quem fala com que escuta, uma vez que, em alguns momentos, quem escuta também fala e quem fala, necessariamente precisa escutar. Algo simples na comunicação leva o nome de modelo linear. Emissor – mensagem – receptor. De acordo com Santos (1998), este primeiro modelo veio com Aristóteles no século III a.C. com o objetivo de persuadir. Mas, o modelo aristotélico tinha como base um Locutor – Discurso - Ouvinte.

As coisas fugiram um pouco do controle. É preciso cuidado, caso contrário, produziremos comunicação e não psicologia. Se bem que as duas coisas se interligam – tudo depende de como você vê as coisas. Neste momento o que precisamos ver são as práticas discursivas e dialógicas. É muito mais interessante criar o diálogo e perceber, por meio dele, a produção dos sentidos. Essa percepção, de acordo com Pinheiro (2004), faz com que o leitor perceba a linguagem como ferramenta para a construção da realidade.

Perceber o discurso como modelo dialógico é entender que ele está carregado de sentido. Algumas vezes conflitantes e outras contraditórias, mas nunca sem sentido. É importante observar que as pessoas sempre recorrem às informações que circulam em seu meio. E, são estas informações que chegam à superfície, agrupadas e cheias de novos sentidos, quando um pesquisador dialoga com alguém. Pinheiro (2004, p. 210) argumenta que "a análise discursiva tal como proposta nos fez entrar em contato principalmente com os embaraços da linguagem e abriu a jaula desta relação dual introduzindo o contexto em suas múltiplas dimensões e muitos outros interlocutores, além dos dois presentes". Observe que numa situação normal de diálogo, muitas outras questões passam a fazer parte do que está sendo dito e do que, muitas vezes, nunca será pronunciado. É um eterno jogo de ocultar e revelar permeado pela linguagem e pelo discurso.

Numa prática discursiva, é muito importante observar a ressignificação dada ao discurso. Só assim, será possível ouvir o outro naquilo que ele está nos dizendo e não naquilo que imaginamos que ele esteja dizendo. Mas entre o Eu e o Outro pode existir um abismo. Tudo o que sabemos do outro me é dado pelo seu discurso. É por meio do discurso que captamos o sentido daquilo que o outro diz. Não posso trabalhar com categorias definidas e tentar enquadrar o outro nas categorias por nós criadas. O outro será sempre mais do que a soma das várias categorias.

No que se refere especificamente às práticas discursivas, é necessário entendermos de que forma a escolha do instrumento se relaciona com os propósitos do pesquisador. Além disso, conforme alerta Pinheiro (2004) é preciso perceber também como os pressupostos teóricos que utilizamos norteiam nossas interpretações e muitas vezes influenciam e mudam completamente o discurso. Por isso, não é possível pensar nas práticas discursivas desvinculadas de uma relação e interrelação entre duas pessoas.

Observem que ao trabalhar as práticas discursivas não é necessário excluir as variáveis que interferem no relato, como se elas estivessem distorcendo o que a pessoa realmente pensa e sabe. Pinheiro (2004, p. 185) explica que "no relato, está em foco, portanto, o que a pessoa trás, os argumentos utilizados e a explicação dada para torná-los plausíveis, ou seja, o que ocorre numa dada situação, dentro de uma sequência de atividades". Percebe-se que é necessário, ao se trabalhar as práticas discursivas, criar uma relação despojada de qualquer aproximação diagnóstica e buscar uma relação dialógica que permita uma maior aproximação entre os seres humanos.

Mas para entender melhor as práticas discursivas é muito importante compreender o instrumento que permeia a relação dialógica entre as pessoas. Por isso, fomos buscar na comunicação uma aproximação possível entre as práticas discursivas, o compromisso ontológico e o método qualitativo. Pode parecer loucura de nossa parte fazer aproximações tão díspares, mas se o leitor(a) levar em consideração que a entrevista é uma prática consagrada para o estabelecimento das nossas relações, vai concordar que é ela, como instrumento dialógico que permite e faz com que nos aproximemos dos demais seres que vivem e partilham este mundo neste momento como processo interativo.

 

6 Aproximações necessárias

Quando afirmamos no início deste material, que os textos eram apenas o pontapé inicial para novas leituras, não imaginávamos que também seriam o ponto de partida para novas re-leituras e por que não dizer para um novo olhar sobre a entrevista. Depois de terminar a leitura dos textos e iniciar a produção deste material, alguma coisa ainda estava faltando. Então, resolvemos ir à fonte da comunicação para, no lugar de deixar de lado todo um conhecimento já adquirido, trazê-lo para dialogar junto com todo o resto.

Dentre os autores de comunicação, quem mais se preocupa com a entrevista e busca trabalhar com enfoque dialógico é a professora da Universidade de São Paulo (USP), Cremilda Medina. Selecionamos dois materiais que podem nos ajudar a partir para uma nova jornada que nos permite beber nas fontes do Jornalismo para aprofundar a Psicologia. Aos poucos é possível perceber algumas aproximações necessárias. A primeira delas é tentar ver a entrevista como uma prática discursiva e não meramente como um instrumento para levantamento de informações. Ela contribui muito na aquisição de dados, mas para isso, precisa ser vista como processo dialógico.

Medina defende que

a entrevista, nas suas diferentes aplicações, é uma técnica de interação social, de interpretação informativa, quebrando assim isolamentos grupais, individuais, sociais; pode também servir á pluralização de vozes e à distribuição democrática da informação. Em todos estes ou em outros usos das Ciências Humanas, constitui sempre um meio cujo fim é o inter-relacionamento humano (MEDINA, 1986, p. 08).

Não sei se estamos divagando demais, mas olhar para este recorte com uma concepção jornalística acaba sendo até reducionista, uma vez que isso nos permite ver apenas uma forma de fazer circular as informações. Mas quando buscamos ver com o olhar da Psicologia, percebemos algo mais. Isso nos mostra que a comunicação pode ser vista como fator de diálogo, como forma de valorizar outras vozes isoladas por distâncias territoriais ou mesmo emocionais, por meio do diálogo.

Percebe-se que, se olharmos a entrevista como uma prática dialógica e discursiva, de uma maneira ou de outra, todos somos, em algum momento de nossas vidas, envolvidos por ela. Isso mostra que o diálogo ao atingir a interação humana criadora, se modifica. Desta forma, a entrevista contribui, dentro das práticas discursivas, com o crescimento e com o conhecimento que vamos adquirindo do mundo e de nós mesmos.

Medina (1986, p. 14) comenta que numa classificação sintética, a entrevista é classificada em dois grupos: "entrevistas cujo objetivo é espetacularizar o ser humano e entrevistas que esboçam a intenção de compreendê-lo". De acordo com a autora, na produção de um texto, sempre vai existir a participação invisível do autor que pode selecionar os traços considerados por ele fundamentais, dramatizando-os e levando em consideração a dinâmica interna da própria narrativa.

Mas, no livro "A arte de tecer o presente", Cremilda Medina consegue mostrar como é possível utilizar a entrevista para captar o cotidiano, registrá-lo e trabalhar as várias facetas de cada discurso trazido à cena pelo entrevistador. Para Medina

o exercício das narrativas, na trajetória humana, carrega consigo as dificuldades racionais (o aprendizado dos esquemas narrativos), intuitivas (o enriquecimento contínuo da sensibilidade, uma espécie de radar profundo para sentir o mundo) e operacionais (a ação do escrever-se e a dialogia numa escrita coletiva) (MEDINA, 2003, p. 48).

Aqui é possível visualizar com mais clareza o significado das práticas discursivas para a própria Psicologia. Observe que ao narrar o mundo, cada ser humano busca organizá-lo conforme suas concepções e vivências.

Pode até ser que as aproximações que aqui estão sendo feitas não tenham muito êxito, mas só o fato de conseguirmos olhar um objeto, no caso a pesquisa, com uma nova perspectiva, para nós já valeu o esforço. Isso porque, neste processo de construção da própria Psicologia é necessário um esforço redobrado para quem já tem a segurança de outra perspectiva no olhar. E nesta retomada de percepções, concordamos com Medina (2003, p. 49) quando mostra que "a razão treinada para resultados imediatos perde a força do afeto e não dá margem a um insight criativo". E, a pesquisa, em muitas situações, treina a razão para respostas imediatas. Os pesquisadores estão constantemente correndo contra o tempo para desenvolverem suas pesquisas e, por este motivo, o pesquisador está se tornando um ser que vive trancado no tempo.

Como textos "aparentemente" sem ligação, nos permitiram andar por terras tão distantes? Nesta caminhada, muitas novidades foram surgindo e novos olhares se tornaram possíveis. E, a entrevista como possibilidade de afeto, tem capacidade de unir os desprotegidos e dar voz aos sufocados. Ver a entrevista e a narrativa como uma crítica ao modelo positivista de cunho mecanicista não é nada fácil. Mas, esta releitura de Medina (2003, p. 50) nos mostrou que "ao experimentar uma narrativa ao mesmo tempo complexa, afetuosa e poética, não há como abstrair a crise dos paradigmas reducionistas, a crise das percepções e a aridez emocional ou a crise das fórmulas aplicadas às rotinas estéticas da narrativa". Observe que é preciso ir ao encontro das vivências cotidianas e colhê-las não com a metodologia explicativa, mas sim com os afetos e as simpatias da compreensão por meio da entrevista.

Pelo exposto até aqui, podemos dizer que Larrosa tinha razão ao defender que

a comunicação, o dizer-se da palavra, não transporta o único e o comum, mas cria o múltiplo e o diferente. A palavra, que é, que dura, que se mantém sempre a mesma, se multiplica e se pluraliza porque, cada vez, algo singular, porque o dizer-se da palavra é, cada vez, um acontecimento único (LARROSA, 2001, p. 291).

Neste contexto, é importante ressaltar que produzir um texto buscando enfocar a entrevista e o processo comunicativo como um princípio epistemológico é perceber que grande parte dos problemas sociais e humanos se expressa, de modo geral, na comunicação das pessoas. Por isso, a comunicação nos permite conhecer as configurações e os processos subjetivos que caracterizam o ser humano e o modo como as diversas condições sociais afetam o homem.

É importante observar que Medina (1986; 2003) e Rey (2005) de forma diferente, defendem as mesmas questões e propõem a superação do modelo positivista que deixa de lado a subjetividade humana. É pela comunicação que nos tornamos sujeitos com nossos desejos e contradições. E, para finalizar estas aproximações vamos fazer uso de uma citação de Rey (2005, p. 15) quando este defende que

a comunicação, segundo o status epistemológico que lhe atribuímos, influenciará, de forma importante, a própria definição dos instrumentos de pesquisa, [...] e, ao mesmo tempo, se converterá em um espaço legítimo e permanente de produção de informação na pesquisa, pois os desdobramentos do processo de comunicação com os sujeitos participantes da pesquisa representam o caminho essencial de seguimento dos diferentes casos singulares em seu aporte diferenciado ao conhecimento (REY, 2005, p. 15).

Desta forma, ver a comunicação como um princípio epistemológico nos permite olhar de forma diferente para o espaço social da pesquisa, valorizando inclusive, a qualidade da informação produzida.

A partir do exposto podemos tecer alguns comentários finais sobre a reflexão feita até o presente momento. No que se refere às questões relacionadas à ética em pesquisa, nos parece importante ressaltar o valor de uma cultura ética em pesquisa, da qual o TCLE surge como fruto maduro. Em relação às questões onto-metodológicas em pesquisa, compreendemos que mais que a defesa de uma abordagem metodológica sejam elas qualitativas ou quantitativas a questão fundamental está nas condições onto-metodológicas postas pelo problema da pesquisa a saber: práticas, empíricas e técnicas. Por último e não menos importante está a compreensão de que as práticas discursivas, ligadas à comunicação, amarram estas questões ontológicas e metodológicas como uma possibilidade de superação da dicotomia quantitativo versus qualitativo na pesquisa em Ciências Sociais.

 

Referências

BUBER, M. Eu e Tu. São Paulo: Centauro, 2001.

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Endereço para correspondência
Jacir Alfonso Zanatta
Universidade Católica Dom Bosco (UCDB)
Av. Tamandaré, Nº 6000 - Bairro: Jardim Seminário. Campo Grande-MS CEP. 79117-900
Endereço eletrônico: jacirzanatta@gmail.com
Márcio Luis Costa
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Av. Tamandaré, Nº 6000 - Bairro: Jardim Seminário. Campo Grande-MS CEP. 79117-900
Endereço eletrônico: marcius1962@gmail.com

Recebido em: 17/03/2011
Reformulado em: 17/05/2011
Aceito para publicação em: 23/05/2011
Acompanhamento do processo editorial: Deise Mancebo

 

 

Notas

* Mestre em Educação pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) e mestre em Psicologia da Saúde pela Universidade Católica Dom Bosco (UCDB). Formado em Psicologia pela (UCDB), Jornalismo pela (UFMS) e Filosofia pelas Faculdades Unidas Católicas de Mato Grosso (FUCMT). É professor da Universidade Católica Dom Bosco (UCDB), situada em Campo Grande, Mato Grosso do Sul – Brasil, além de ser vice-presidente do Comitê de Ética na Pesquisa (CEP).
** Doutor e mestre em Filosofia pela Universidad Nacional Autonoma de México. Especialista em Didática e Metodologia do Ensino Superior e formado em Filosofia pelas Faculdades Unidas Católicas de Mato Grosso (FUCMT). É professor do Programa de Mestrado em Psicologia da Universidade Católica Dom Bosco (UCDB). Presidente do Comitê de Ética na Pesquisa (CEP) e editor responsável da revista Psicologia e Saúde editada pelo Mestrado em Psicologia da UCDB.



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